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Sobre a capa – “Evangelion”, Behemoth 2009

evangelion behemoth

“A mulher é a prostituta da babilônia, está sentada sobre a besta de sete cabeças, aos seus pés estão santos a venerando, entre eles vemos as tábuas da lei quebra, além disso, a espada dela está sobre o sol (símbolo de Jesus), este que tem uma expressão de pavor. O título do álbum ainda faz tudo ter mais sentido. Evangelion refere-se a evangelho, que significa a disseminação da palavra de Deus, que pelos dez mandamentos quebrados percebe-se que não estamos falando do Deus cristão. A prostituta da Babilônia ainda está ali para representar o anticristo, a decadência da humanidade e a luxúria, símbolos que são dados a ela no novo testamento. “Nergal afirma que a prostituta da Babilônia representa, na visão dele, um símbolo de ‘rebelião e resistência contra Deus’ em seu contexto bíblico. Em suma, Evangelion é a versão do Behemoth para a ‘revelação de Deus’”. Fernandes, José Lucas Cordeiro

Conheça mais:

Fernandes, José Lucas Cordeiro. Cruzes Invertidas e Corpos Pintados: A permanência da figura de Lúcifer no Black Metal.in História, imagem e narrativas No 15, outubro/2012 – ISSN 1808-9895

The dark side of love – o lugar do amor nas canções de metal

love pic

Eu não poderia começar esse post sem antes agradecer imensamente a minha amiga e companheira de luta na cena, Melina Santos, pesquisadora, mestre e doutoranda do programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Federal Fluminense, por compartilhar pessoalmente parte dos manuscritos que me ajudaram e pensar nas questões que distribuo aqui na forma de pequenos excertos. Espero que ela possa dar continuidade ao trabalho com este assunto tão cativante e envolvente.

Historicamente, o metal – termo genérico englobando desde o heavy metal, ou metal clássico, até os demais subgênero que surgiram após a década de 80 – surgiu no início da década de 70, tendo como marco o lançamento do primeiro disco da banda Black Sabbath em 13 (sexta-feira) de fevereiro de 1970. Em resumo, o metal sombrio e macabro do Sabbath representava uma quebra na ideologia “paz e amor” do movimento anterior.

No aspecto lírico, ainda na consolidação do gênero, a pesquisadora Deena Weinstein pôde identificar duas ramificações temáticas nas canções de metal: a “dionisíaca” e a “caótica”. Juntas elas representam o forte envolvimento emocional em tudo aquilo que desafia a ordem e a hegemonia da vida cotidiana. Leia o resto deste post

A fragmentação do Metal

Venom

O metal é um gênero que em vez de ter sido suplantado por outros gêneros se disseminou em diversos subgêneros. O que nós entendemos como sendo “metal” sofre constantemente alterações em múltiplos sentidos e se entendemos “gênero” como uma categoria sociocultural/mercadológica esse movimento é algo de ordem natural e passível de ser analisado. Tracemos algumas linhas em relação a isso a seguir:

Após um primeiro momento em que o metal começa a se firmar como gênero na década de 70, com bandas como: Raibow, Scorpions; em especial, Black Sabbath e Judas Priest (entre outras), surgem a seguir (1979 – 81) uma leva de novas bandas que tinham em comum a inclinação e a sensibilidade para o heavy metal, a juventude e a enorme ênfase nos elementos visuais.

Esse período ficou conhecido como “New Wave of British Heavy Metal” (NWOBHM), que marcou também a diáspora do heavy metal através do mundo. Surgiram então bandas como Iron Maiden, Def Leppard, que alcançaram grande sucesso, e bandas como Venom e Diamond Head, que não alcançaram a mesma mobilização, mas são de extrema importância para o futuro do gênero.

O crescimento do número e da variedade de bandas de heavy metal no começo da década de 80 levou a uma fragmentação do gênero e ao surgimento de novos códigos “subgenéricos”. Deena Weinstein aponta que entre 1983 – 84 dois subgêneros estavam em voga, cada um destacando uma característica chave do heavy metal:

O que ela chama de “lite metal”, dando ênfase aos elementos melódicos, cujos maiores expoentes e influenciadores seriam Def Leppard e Van Halen. E o “Speed/Thrash Metal”, enfatizando os elementos rítmicos, adicionando velocidade ao heavy metal. O Speed/thrash é mais ligado às tradições do metal e inaugura um posicionamento mais questionador, sendo mais voltado ao underground.

Apesar dessas duas vertentes básicas serem claramente opostas, ambas mantêm seu vinculo com o “metal”. [Até a NWOBHM, o termo “heavy metal” conseguia atender à variedade de bandas que se encaixavam nessa categoria, depois da NWOBHM, devido a essa fragmentação, “heavy metal” passou a representar as bandas e as sonoridades clássicas, que foram criadas antes desse período, e “metal” passou a ser um termo mais genérico, representando uma ampla gama de subgêneros.]

Enquanto o “lite metal” se desenvolve esticando suas fronteiras em direção à música pop, à uma pegada mais rock’n roll e a outros elementos culturais que deram origem ao “glam”, ou “hair metal” (termos normalmente usados pejorativamente) e ao hard rock pais pesado, o Speed/thrash metal adicionou elementos do punk, do hardcore, da cultura steet, entre vários outros, dando origem ao Power metal, ao Crossover e ao Death metal.

Apesar do “lite metal” ser abertamente subjugado e menosprezado por uma grande parcela de fãs que seguem uma linha mais tradicionalista e/ou radical, a autora faz uma comparação perspicaz entre a importância dos brancos para o rock, quando até então era uma música majoritariamente negra e por isso não conseguia alcançar maiores audiências, e o “lite metal” com suas baladas românticas e músicas com maior apelo comercial. Ela lembra que um grande número de adeptos do metal chega aos subgêneros mais pesados a partir dessas músicas mais comerciais, ou seja, são de alguma forma introduzido por elas no mundo do metal, devido a esse maior alcance que possuem.

A partir da década de 90 o metal se encontra amplo processo de expansão, cada vez mais fragmentado e disperso, com subgêneros sendo unidos a outros subgêneros e dando origem a novas percepções. As fronteiras que delimitam o metal são cada vez maiores e mais complexas.

Weinstein coloca os artistas/as bandas como principais agentes culturais dessas mudanças, mas não deixa de apontar a importância da audiência e das mídias nesse processo, que faz que o metal seja visto não apenas em termos musicais e criativos, mas como um sistema cultural complexo, porém inteligível.

Bibliografia:

CHRISTE, Ian. Heavy Metal – A história completa; tradução de Milena Duarte e Augusto Zantoz. São Paulo: Arx, 2010.

WEINSTEIN, Deena. Heavy Metal: the music and its culture. New York: De Capo, 1991/2000.

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