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Straight Edge – gênero e subcultura

straigh cover

“… I’m a person just like you but I’ve got better things to do/ than sit around and smoke dope cuz I know that I can cope/ I laugh at the thought of eating ludes, Ilaugh at the though of snifing glue/ Always want to be in touch, never want to use a crutch/ I’ve got Straight Edge!…”

[Sou uma pessoa como você, mas tenho coisas melhores a fazer/ do que ficar sentado fumando maconha porque sei que posso lutar e vencer/ Dou risada da ideia de tomar sedativos, dou risada da ideia de cheirar cola / Sempre quero estar consciente, jamais quero usar uma muleta/ Eu tenho Straight Edge!…] [1]

Minor Threat, música “Straight Edge”, do EP Straight Edge, Deschord Records, 1981.

A tradução do termo, algo como “caminho reto”, faz alusão à postura adotada pelo grupo em relação à negação ao consumo de substâncias e comportamentos supostamente alienantes, prejudiciais ou auto destrutivos. O Straight Edge, a partir do início da década de 80, desenvolve-se como uma subcultura e um subgênero ligado ao hardcore punk, relacionando-se de forma comportamental e artística com a cena.

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A fragmentação do Metal

Venom

O metal é um gênero que em vez de ter sido suplantado por outros gêneros se disseminou em diversos subgêneros. O que nós entendemos como sendo “metal” sofre constantemente alterações em múltiplos sentidos e se entendemos “gênero” como uma categoria sociocultural/mercadológica esse movimento é algo de ordem natural e passível de ser analisado. Tracemos algumas linhas em relação a isso a seguir:

Após um primeiro momento em que o metal começa a se firmar como gênero na década de 70, com bandas como: Raibow, Scorpions; em especial, Black Sabbath e Judas Priest (entre outras), surgem a seguir (1979 – 81) uma leva de novas bandas que tinham em comum a inclinação e a sensibilidade para o heavy metal, a juventude e a enorme ênfase nos elementos visuais.

Esse período ficou conhecido como “New Wave of British Heavy Metal” (NWOBHM), que marcou também a diáspora do heavy metal através do mundo. Surgiram então bandas como Iron Maiden, Def Leppard, que alcançaram grande sucesso, e bandas como Venom e Diamond Head, que não alcançaram a mesma mobilização, mas são de extrema importância para o futuro do gênero.

O crescimento do número e da variedade de bandas de heavy metal no começo da década de 80 levou a uma fragmentação do gênero e ao surgimento de novos códigos “subgenéricos”. Deena Weinstein aponta que entre 1983 – 84 dois subgêneros estavam em voga, cada um destacando uma característica chave do heavy metal:

O que ela chama de “lite metal”, dando ênfase aos elementos melódicos, cujos maiores expoentes e influenciadores seriam Def Leppard e Van Halen. E o “Speed/Thrash Metal”, enfatizando os elementos rítmicos, adicionando velocidade ao heavy metal. O Speed/thrash é mais ligado às tradições do metal e inaugura um posicionamento mais questionador, sendo mais voltado ao underground.

Apesar dessas duas vertentes básicas serem claramente opostas, ambas mantêm seu vinculo com o “metal”. [Até a NWOBHM, o termo “heavy metal” conseguia atender à variedade de bandas que se encaixavam nessa categoria, depois da NWOBHM, devido a essa fragmentação, “heavy metal” passou a representar as bandas e as sonoridades clássicas, que foram criadas antes desse período, e “metal” passou a ser um termo mais genérico, representando uma ampla gama de subgêneros.]

Enquanto o “lite metal” se desenvolve esticando suas fronteiras em direção à música pop, à uma pegada mais rock’n roll e a outros elementos culturais que deram origem ao “glam”, ou “hair metal” (termos normalmente usados pejorativamente) e ao hard rock pais pesado, o Speed/thrash metal adicionou elementos do punk, do hardcore, da cultura steet, entre vários outros, dando origem ao Power metal, ao Crossover e ao Death metal.

Apesar do “lite metal” ser abertamente subjugado e menosprezado por uma grande parcela de fãs que seguem uma linha mais tradicionalista e/ou radical, a autora faz uma comparação perspicaz entre a importância dos brancos para o rock, quando até então era uma música majoritariamente negra e por isso não conseguia alcançar maiores audiências, e o “lite metal” com suas baladas românticas e músicas com maior apelo comercial. Ela lembra que um grande número de adeptos do metal chega aos subgêneros mais pesados a partir dessas músicas mais comerciais, ou seja, são de alguma forma introduzido por elas no mundo do metal, devido a esse maior alcance que possuem.

A partir da década de 90 o metal se encontra amplo processo de expansão, cada vez mais fragmentado e disperso, com subgêneros sendo unidos a outros subgêneros e dando origem a novas percepções. As fronteiras que delimitam o metal são cada vez maiores e mais complexas.

Weinstein coloca os artistas/as bandas como principais agentes culturais dessas mudanças, mas não deixa de apontar a importância da audiência e das mídias nesse processo, que faz que o metal seja visto não apenas em termos musicais e criativos, mas como um sistema cultural complexo, porém inteligível.

Bibliografia:

CHRISTE, Ian. Heavy Metal – A história completa; tradução de Milena Duarte e Augusto Zantoz. São Paulo: Arx, 2010.

WEINSTEIN, Deena. Heavy Metal: the music and its culture. New York: De Capo, 1991/2000.

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