The dark side of love – o lugar do amor nas canções de metal

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Eu não poderia começar esse post sem antes agradecer imensamente a minha amiga e companheira de luta na cena, Melina Santos, pesquisadora, mestre e doutoranda do programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Federal Fluminense, por compartilhar pessoalmente parte dos manuscritos que me ajudaram e pensar nas questões que distribuo aqui na forma de pequenos excertos. Espero que ela possa dar continuidade ao trabalho com este assunto tão cativante e envolvente.

Historicamente, o metal – termo genérico englobando desde o heavy metal, ou metal clássico, até os demais subgênero que surgiram após a década de 80 – surgiu no início da década de 70, tendo como marco o lançamento do primeiro disco da banda Black Sabbath em 13 (sexta-feira) de fevereiro de 1970. Em resumo, o metal sombrio e macabro do Sabbath representava uma quebra na ideologia “paz e amor” do movimento anterior.

No aspecto lírico, ainda na consolidação do gênero, a pesquisadora Deena Weinstein pôde identificar duas ramificações temáticas nas canções de metal: a “dionisíaca” e a “caótica”. Juntas elas representam o forte envolvimento emocional em tudo aquilo que desafia a ordem e a hegemonia da vida cotidiana.

Enquanto as temáticas dionisíacas celebram a força vital através de várias formas de êxtase e incorporam a tríade profana “sexo, drogas e rock and roll”, as “caóticas” representam os monstros/ a monstruosidade, o submundo e o inferno, o grotesco e aterrorizante, desastres, mutilação, carnificina, injustiça, morte e rebelião. (WEINSTEIN, 1991, p.35)

O interessante é que em nenhuma dessas formas, o amor romântico, tão caro às canções pop e aos valores da contracultura é aqui contemplado. Na cultura do metal o amor ou pertence à esfera do caos (tormento, dor, sofrimento, etc.) ou à luxúria, ao amor carnal. O sexo entra como diversão ou como perversão.

Não é que não exista amor no metal, o que o gênero faz é desmistificar o modelo de amor ocidental, muito pautado pelo modelo de amor cristão/divino.

“No universo do metal, amar não é incondicional, como dita o pensamento religioso cristão. Amar pode ser divertido, mas o verbo não está isento de sofrimento, desilusões e rupturas, afetos componentes da existência humana.” (SANTOS, Melina)

Melina lembra ainda que o foco dado às rupturas de relacionamentos e às confusões inerentes a eles é herança ainda do blues, primeiramente incorporado pelo rock e posteriormente compondo o amálgama influências de formação do heavy metal.

E tema abre-se em várias questões que podem ser abordadas nos mais diferentes aspectos, em especial no filosófico. Espero que em breve possamos ter algo publicado neste sentido (estamos torcendo \m/,) para que o “lado negro do amor” no metal seja melhor ainda explorado. Abaixo deixo alguns exemplos que ajudam a ilustrar estas questões. Lembrando que todos estão super convidados a colaborar.

Até a próxima.

Black Sabbath “No Stranger to Love”

“Cold is the night
Lonely till dawn
Cry for the light
For the love that won’t come
You said that you’d never
Leave me alone”

“A noite é fria
Solitária até o amanhecer
Clamo pela luz
Pelo amor que não virá
Você disse que nunca
me deixaria sozinho”

Motorhead “Love Me Like A Reptile”

“And I like to watch your body sway,
I got no choice, I’m gonna twist your tail,
Love Me Like A Reptile, I’m gonna sink my fangs in you”

“E eu gosto de ver o seu corpo balançar,
Eu não tenho escolha, eu vou torcer o seu rabo,
Ame-me como um réptil, eu vou afundar minhas presas em você”

Gorguts “Earthly Love”
“Flesh the feeble flesh confines the pain and soul
Vault in which, the earthly way, i bear
Earth Love my denial
Tears as a gift upon my mirror
Bright…the pureness of the unperpetual”

“Carne, a carne fraca confina a dor e a alma
O baú no qual o caminho terreno eu suporto
Amor terreno minha negação
Lágrimas como um presente sobre meu espelho
Brilhante … a pureza do não-perpétuo”

Carcass “No Love Lost”

“No love lost,
When all is said and done,
There’s no love lost.

The low cost of loving,
Amorous travesty,
Human frailties and weakness are easy prey,
How your poor heart will bleed.”

“Nenhum amor perdido,
Quando está tudo dito e feito,
Não há amor perdido.

O baixo custo de amar,
Caricatura amorosa,
Fragilidades e fraquezas humanas são presas fáceis,
Como o seu pobre coração vai sangrar.”

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Sobre Natália Ribeiro

*Editora do blog Rockalogy desde 2009 *Editora e Produtora do canal Metal Ground *Mestranda em Comunicação Social pela Universidade Federal Fluminense - UFF *Graduação em Estudos de Mídia - UFF *Membro do Laboratório de Pesquisa em Culturas e Tecnologias da Comunicação - LabCULT, ligado ao PPGCOM/UFF. *Headbanguer Full Time

Publicado em 2 de abril de 2015, em Blog e marcado como , , , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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