A importância do Punk para o Rock – ruptura e apropriaçãoes

Punk 70's

Punk 70’s Ramones

Quando na década de 60 o rock ganha sua autonomia enquanto gênero musical representante de valores e ideias caras a uma juventude que também ganhara sua autonomia a pouco; uma massa pensante, contestadora e também contraditória, passa então cada vez mais a chamar atenção, crescendo em termos de público, influência e de interesse por parte dos conglomerados multimidiáticos.

Esse “crescimento” acaba gerando uma ruptura na década de 70, como propõe Jeder Janotti, em dois vetores distintos: a valorização da música pop com algumas influência de rock e o “surgimento de formações roqueiras mais específicas que ressaltavam posicionamentos diferenciais no interior da música rock”. Entra em cena a discussão sobre autenticidade/legitimidade e mercado.

O Punk surge nas ruas Londres e Nova York no início da década de 70 “como um apanhado de desilusões sociais exacerbadas durante a crise do petróleo em 1973.” Apropriando-se poética e esteticamente do rock, somando questões do contexto sociocultural e espacial em que se desenvolviam. Ele inaugura novos métodos de produção, o “faça você mesmo”, que representa uma autonomia em relação a indústria e consequentemente, mais liberdade em termos de produção, circulação e consumo, esteticamente rompe com a ideia de virtuose, do glamour e apresenta o rock como atitude.

Sem virtuose, sem glamour

Sem virtuose, sem glamour

O Punk coloca o mercado no centro das discussões. “Ao contrário dos movimentos anteriores, o punk não envolvia apenas uma diferenciação entre ‘nós/ele’ ao redor da ideia de juventude e, sim, diferenciações no interior do próprio rock.” passa-se a discutir o que é autêntico e o que é cooptado.

Mesmo tendo sido cada vez mais absorvido pela indústria do entretenimento, o Punk segue como um gênero de apropriação, apropriando e sendo apropriado. O “Do it yourself” foi essencial para o surgimento de novas vertentes do rock e do metal, o que pode ser entendido como uma evolução, um passo à frente, na trajetória do gênero como o conhecemos hoje.

Apropriação dos símbolos

Apropriação também dos símbolos

Apesar da relevância das ideias inauguradas pelo Punk no início da década de 70 é preciso termos em mente que aquilo foi parte de um processo que envolve uma série de fatores tecnológicos, históricos, socioculturais, midiáticos e etc. e que uma ruptura não necessariamente representa o fim de um processo e o início de outro, mas muitas vezes a apresentação de um novo caminho, uma forma outra de fazer algo.

Texto referência: Rock, mídia e juventude – Cap.4 do livro Aumenta que isso ai é rock’n’roll – Jeder Janotti Jr., E-Papers, 2003

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Sobre Natália Ribeiro

*Editora do blog Rockalogy desde 2009 *Editora e Produtora do canal Metal Ground *Mestranda em Comunicação Social pela Universidade Federal Fluminense - UFF *Graduação em Estudos de Mídia - UFF *Membro do Laboratório de Pesquisa em Culturas e Tecnologias da Comunicação - LabCULT, ligado ao PPGCOM/UFF. *Headbanguer Full Time

Publicado em 4 de janeiro de 2013, em Posts e marcado como , , , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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