Música boa e música ruim, quem pode determinar esses valores?

Euterpe, musa que preside à música. Uma das nove musas da mitologia grega, filhas de Zeus e Mnemósine.


Entender de música não quer dizer apenas ser dotado de conhecimentos à cerca de ritmo, melodia e partituras, entre outros saberes necessários ao “fazer” musical, para entender a música é preciso entender o que ela representa e em qual contexto cultural ela se insere.

Antes de haver música, é preciso haver o som, e para haver música é preciso reconhecer determinado som como música. Como Andre Stangl e Reinaldo Pamponet Filho apontam em seu texto, “É bem possível que a organização dos sons e a criação dos primeiros instrumentos envolvessem formas rituais e significados místicos”.

Rituais de modo geral, são demarcadores culturais, assim como tribos indígenas podem ser diferenciadas pelo modo como cantam e dançam, na sociedade atual, os rituais continuam a funcionar da mesma forma, e a forma como cantamos e dançamos continua nos ajudando a demarcarmos o que somos em nossa sociedade.

No entanto, citando os próprios autores, “na modernidade, a música despencou do céu e foi transformada em produto e mercadoria.” Nossa percepção sobre a música mudou com o surgimento de novas técnicas e o desenvolvimento da indústria musical, no entanto continua sendo culturamente moldada. 

“Não existe sentido no som fora da cultura. Somente a cultura nos permite perceber um som como música, a cultura do som é ser música. (…) Em outras palavras, ainda que se discuta o gosto, a escolha não é entre o bom e o mau gosto, mas sim a opção entre um ou outro valor musical culturalmente compartilhado.” (p. 120, 121)

Embora o parágrafo acima seja muito útil a uma definição de música culturamente determinada, não podemos esquecer que a música também possui uma estrutura e que a meu ver não deve passar alheia a uma análise. Por mais que sua estrutura sirva a uma determinada finalidade, animar, fazer dançar, vislumbrar, incomodar, etc. isso se faz por diferentes formas, mais ou menos objetivas, mais ou menos efetivas e que tem a ver tanto com a forma como foi composta, quanto aos sentimentos que por ela pretendem ser acionados. 
Irineu Franco Perpetuo, Sergio Amadeu Silveira (orgs.). O futuro da música depois da morte do CD – São Paulo: Momento Editorial, 2009.
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Sobre Natália Ribeiro

*Editora do blog Rockalogy desde 2009 *Editora e Produtora do canal Metal Ground *Mestranda em Comunicação Social pela Universidade Federal Fluminense - UFF *Graduação em Estudos de Mídia - UFF *Membro do Laboratório de Pesquisa em Culturas e Tecnologias da Comunicação - LabCULT, ligado ao PPGCOM/UFF. *Headbanguer Full Time

Publicado em 20 de setembro de 2012, em Posts. Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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