O metal nacional em busca de sua identidade

Leia a matéria em: http://oglobo.globo.com/cultura/o-heavy-metal-brasileiro-que-comecou-no-para-faz-30-anos-5104458
Como na matéria publicada no dia 3 de Junho de 2012 pelo jornal O Globo, “O heavy metal brasileiro, que começou no Pará, faz 30 anos” nota-se um esforço que vem sendo feito, muitas vezes por parte dos próprios personagens, para se contar a história do “metal nacional”. São bandas tidas como pioneiras do gênero no país, como: Stress, Viper, Dorsal Atlântica, Metalmorphose, Santuário, entre outras, que estão voltando a ativa ou encabeçando projetos de “resgate” ao passado histórico.

Esse esforço vem sendo justificado por uma demanda que parte dos próprios fãs, pessoas que em muitos casos, nem fizeram parte daquele momento, mas possuem determinado apreço pela história. Isso está ligado a ideia do fã como “curadores” do acervo de memória musical informativa.*

“Uma vez que o público que tem atualmente mais de 30 anos não havia atingido  a puberdade quanto o punk estava no seu auge – muito menos quando os Kinks e os Stones estavam em sua melhor fase – essas publicações genuinamente representam uma herança para os leitores de uma faixa etária que não experimentou a música quando ela foi primeiramente lançada. O seu interesse é atiçado não pela nostalgia da sua juventude, as por um interesse no grande alcance da tradição e nos artistas ‘clássicos’ que definiram a configuração da música popular atual.” (JENNINGS, 2007, p.35)*.

Esse tipo de prática está relacionadas às negociações de identidade e do capital subcultural (AMARAL, 2010, p.18), que são reforçadas com as práticas comunicacionais possibilitadas pela internet. Neste sentido a busca por sua história está diretamente ligada à questão da identidade, logo, esse “esforço” de historicização reflete uma necessidade de auto-afirmação do gênero no que diz respeito á sua produção “nacional”, neste caso, o Brasil.

Mesmo com mais de 30 anos de história o “Metal Nacional” enfrenta ainda um série de empecilhos que dificultam sua definição, seja a língua, o fato de circular majoritariamente no underground ou de utilizar-se de meios alternativos de circulação. O Metal não é um gênero reconhecido como tipicamente brasileiro, a exemplo do Samba, então o que definiria o “Metal Nacional”?

Essa pergunta há de ser respondida com base em negociações por parte dos fãs, e pessoas preocupadas em discutir a definição do termo, pois não é algo dado. A meu ver o Metal Nacional é aquele produzido por músicos brasileiros, seja em português, inglês ou qualquer outra língua. O Metal guarda uma forte identidade global, o que lhe permite se libertar mais facilmente de algumas “barreiras” geográficas e culturais.
Outro ponto que tenho a adicionar é que a preocupação com a base histórica é importante, mas também é preciso reconhecer os esforços que vem sendo realizados atualmente, manter um olhar para o futuro da cena.

Bibliografia:

*Tradução feita por Adriana Amaral para o artigo AMARAL, A. Práticas de Fansourcing. Estratégias de mobilização e curadoria musical nas plataformas musicais. In: SÁ, Simone (org). Rumos da Cultura da Música. Porto Alegre: Ed. Sulina, 2010
disponível em: http://palavrasecoisas.files.wordpress.com/2010/07/prc3a1ticas-de-fansourcing1.pdf

JENNINGS, David, Net, blogs and rock n’ roll. How digital Discover works and what it means for consumers, creators and culture. Boston: Nicholas Brealey Publishing, 2007.

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Sobre Natália Ribeiro

*Editora do blog Rockalogy desde 2009 *Editora e Produtora do canal Metal Ground *Mestranda em Comunicação Social pela Universidade Federal Fluminense - UFF *Graduação em Estudos de Mídia - UFF *Membro do Laboratório de Pesquisa em Culturas e Tecnologias da Comunicação - LabCULT, ligado ao PPGCOM/UFF. *Headbanguer Full Time

Publicado em 4 de junho de 2012, em Posts. Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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