Arquivo mensal: maio 2012

Rockalogy no ForCaos 2012, um dos maiores eventos underground do Nordeste

Nos dias 20 e 21 de julho, acontece a 14ª edição do ForCaos, um dos maiores eventos underground do Nordeste, ocorrendo simultaneamente no Centro Cultural Banco do Nordeste e Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura com a realização de seminários, passeio ciclístico e apresentações musicais.

O Seminário ForCaos 2012, contará com duas mesas, a primeira discute “Música, Direito Autoral e o papel do ECAD”, tendo como orador principal Alexandre Negreiros doutorando em Políticas Públicas, Estratégia e Desenvolvimento, programa interdisciplinar stricto sensu do instituto de Economia da UFRJ. A segunda traz uma discussão sobre “A mulher no Rock e Heavy Metal” com a musicista e advogada Marly Cardoso (SP), Natália Ribeiro, coordenadora do Movimento Underground Carioca, produtora da Web TV Metal Busted, editora do blog Rockalogy e Alinne Madelon, vocalista da banda The Knickers e proprietária da loja Metal Fatality.
Outra atividade do evento é a 1ª Bicicletada do ForCaos, percorrendo espaços culturais ligados ao rock nas décadas de 1990 e 2000, sediados no Benfica e Centro da Fortaleza como Cidadão do Mundo e Casarão Cultural, bem como na Praia de Iracema onde destacamos o Padang Padang, Jokerman, Noise 3D, Hey Ho Rock Bar entre outros. Na ocasião, os ciclistas irão conhecer um pouco da história de cada um desses locais através de um catálogo com informações, fotos e documentos da época guiados por pesquisadores ligados a Associação Cultural Cearense do Rock (ACR) e universidades. A bicicletada acontece no dia 14 de julho.
Também estão previstas 28 (vinte oito) apresentações musicais de bandas de diferentes regiões do país e dos mais variados estilos e matizes. Os shows acontecem no Anfiteatro do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura e no Centro Cultural Banco do Nordeste.
O evento integra a campanha “Crack tô fora: a única pedra que rola é o Rock!!”.
Os grupos poderão enviar material físico até o dia 6 de junho.
Mais informações: forcaos2012@gmail.com
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O Papel do Videoclipe no Metal I – "The Unforgien II"

Resenha do texto: “O videoclipe como extensão da canção: apontamentos para análise” de Jeder Janotti Júnior e Thiago Soares

Tatuagens, Piercings e Alargadores na Cena Metal

Post revisitado e agora com bibliografia disponível em:
Num evento underground é notável o grande número de pessoas que possuem algum tipo de marca corporal, tal como piercing e tatuagem, e justamente por ser algo notável é que se faz relevante um esforço para entendermos melhor esse fenômeno e como ele se relaciona com a cena.
As marcas corporais possuem uma longa história. Até o século XVIII no Ocidente eram violentamente combatidas e condenadas pela igreja, que considerava uma blasfêmia, pois, se o corpo foi feito à imagem e semelhança de Deus, modificar essa imagem equilave a desfigurar sua “perfeição natural”, segundo a tradição judaico-cristã as diversas marcas permanentes do corpo distinguiam o pagão do crente, o ímpio do fiel. Durante o período medieval elas estiveram intrinsecamente ligadas às culturas pagãs e carregavam significados mágicos e protetores, assim como esteve presente entre povos bárbaros (povos guerreiros), como os Celtas e os Vikings. 
“No final do século XVIII que as marcas corporais começaram a popularizar-se no contexto da sociedade ocidental européia”.* Na época das expedições marítimas, colonização, da descoberta de novos continentes as tripulações desses navios entravam em contato com os povos nativos, estes marcados corporalmente. “A tatuagem e o brinco passaram, então, a constituir uma importante parcela simbólica da experiência de navegação (…)”
A partir daí as marcas corporais ganharam cada vez mais esse sentido de estigma, no sentido de quem as porta ser socialmente mal visto. De uma “sociedade selvagem”, e nesse sentido inferior, como símbolo pagão e marginalizado (seu processo de importação e apropriação localizou-se em grande média nos guetos das culturas populares urbanas, entre marinheiros, estivadores, prostitutas, membros de gangs, entre outros*) de exóticas, no século XX, passaram a serem tomadas como expressão corporal de patologia criminal, solidificando ainda mais o estereótipo negativo.
Marcas corporais também foram usadas para diferenciarem indivíduos livres de indivíduos submetidos; escravos, “trabalhadores”de campos de concentração, presidiários. Estes últimos em especial deram um novo valor simbólico às marcas, quando começaram a incorporá-las voluntariamente fazendo correspondência a um ato de resistência aos processos de disciplinaçao do sujeito. As tatuagens ganharam assim um valor de rebelião, de contestação social.
Por mais que a sociedade lutasse contra as marcas elas ganharam crescente sucesso depois da II Guerra Mundial, sendo apropriadas por subculturas, tribos, grupos e cenas, mas é claro, num novo contexto. As marcas corporais começam a ser incorporadas a cultura dominante como formas de expressão pessoal e de singularizaçao social*, não mais daquela forma quando as marcas designavam uma coletividade e eram identificados por ela socialmente de forma clara e precisa. Hoje elas têm estão mais ligadas à exclusão do que a inclusão na sociedade como um todo. 
Mas cada vez mais a tatuagem e o piercings, e outras formas de modificação, como o stretching (ou dilatação) tem ganhado mais adeptos e eles são de toda ordem, jovens, adultos, pobre, ricos, com ensino superior, “patricinhas” (como consta numa entrevista do artigo), funkeiros, mães e pais, headbangers, empresários, artistas de cinema etc. 
A incorporação das marcas pelo star-sistem musical, funcionou como meio de relativa aceitação e familiarização social com as marcas corporais (…) ,sobretudo sobre os segmentos mais jovens, para quem freqüentemente essas celebridades constituem referencias culturais identitárias”(soma-se a isso a popularização dos estúdios de tatuagem e a regulamentação dos mesmo, sem esquecer da invenção da máquina de tatuar elétrica, em 1980). A marcas acabam sendo desmistificadas, perdendo parte dessa aura de marginalidade e exotismo, porém sem perder o remanescente expressivo de diferença e de singularidade social.
O underground é onde as tribos se reúnem, cada tribo tem sua característica, sua identidade. O incrível é pensar em como isso é mantido, sendo que esses grupos estão sempre em contato os outros, e em vez de haver uma homogeneização está cada vez mais segmentado (discussão para um futuro post). Tem os tatuados, os muito tatuados, os tatuados com piercing, os que tem a tatuagem seguindo um determinado estilo ou linha, os que só tem piercing, e essas marcas corporais geralmente apontam para um determinado gosto musical, uma determinada vertente, que por sua vez envolve uma “ritualística” ligada a essas marcas.
Ou seja, marcas corporais tem TUDO a ver com underground, e tem muito o que falar sobre isso ainda.
Natália R. Ribeiro
Para este post foi usado como apoio o artigo “Do Renascimento das Marcas Corporais em Contextos de Neotribalismo Juvenil – Vítor Sérgio Ferreira”, presente no livro “Tribos Urbanas: Produção Artística e Identidades – José Machado Pais e Leia Maria da Silva”.

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