Arquivo mensal: fevereiro 2012

A disputa entre capital simbólico e capital comercial, “A Rádio Rock” X “A Maldita” como metáfora para o atual cenário do Rock



Resenha do artigo: “Rádio musical e concessão pública: uma reflexão a partir de duas emissoras ‘roqueiras’” de Heitor da Luz Silva (UFF)


Artigo publicado em: Revista Fronteiras – estudos midiáticos X(3): 163-172, set/dez 2008

Tanto a Rádio Cidade quando a Fluminense FM, tinham como sede a cidade do Rio de Janeiro e suas áreas de abrangência correspondiam ao Grande Rio, embora, com alguma dificuldade, também pudessem ser ouvidas em alguns lugares fora dessa região. Ambas optaram pela segmentação em um gênero específico, o Rock. No entanto, enquanto a Fluminense FM apostava em uma programação mais alternativa, à parte do mainstream, a Rádio Cidade apostava numa programação mais pop, a serviço das gravadoras.

Enquanto uma buscava ser reconhecida por seu trabalho de divulgação de músicas que atenderiam a vontade seu público, a outra buscava o público em quantidade que atendesse às suas necessidades e interesses. Claramente, a Fluminense optava por capitalizar-se simbolicamente, construindo uma base forte de público e sendo fiel a ele e a Cidade buscava mais audiência apelando para músicas mais Pops, tencionando a idéia de “Rádio Rock”.

Essas rádios existiram em momentos distintos, a Fluminense FM “A Maldita”, nos anos oitenta (no ar até 1994), e a Rádio Cidade “A Rádio Rock”, no início deste século (no ar até 2006), embora com interesses distintos ambas foram importantes para a formação de um público roqueiro e funcionavam como porta de entrada para muita gente para o gênero. Era um veículo de massa com uma programação voltada “exclusivamente” (ou pretendiam que assim se acreditasse) para o rock.

Frutos de concessões públicas do Estado, que apesar de controlar a quantidade de freqüências disponíveis, pouco ou nada interfere na mediação de interesses entre possíveis demandas da sociedade e as emissoras. Logo, estavam sujeita a interesses econômicos e particulares. Ou seja, o jabá poderia ser cobrado dependendo da vontade da rádio, mesmo que isso representasse interesses puramente comerciais.

Para conquistar e manter tal autonomia, a Fluminense precisou compor sua receita apenas com o dinheiro dos anúncios publicitários, ao contrário da Cidade Rock, que dependia do apoio econômico das gravadoras.”

Não à toa a época do auge do rock na Maldita não durou muito, depois de algum tempo antes que saísse do ar, houve uma tentativa para uma variação maior de sua programação, já a Cidade esteve um período maior na ativa. É claro que dessa discussão não se pode excluir o fator histórico/social, foram épocas diferentes, no entanto, a opção por uma programação mais fiel ao rock sempre foi possível.
Segundo o autor, “o direito à liberdade de expressão, nesse caso, vai estar diretamente relacionado, portanto, à idéia de liberdade de mercado.”, que neste caso é controlada por “interesses mercadológicos, culturais e afetivos nos produtos veiculados por cada uma das emissoras.”. Uma das maiores críticas presente no texto é a de que se o Estado estivesse mais presente, não só cedendo o espectro sonoro, poderia impedir que um espaço de tal importância fosse tomado por interesses puramente econômicos.

 “O fato de o veículo ser uma concessão pública faz com que ele seja potencialmente um agente estratégico para os processos de produção, circulação e consumo de música, impedindo a concentração de agentes que hegemonizem o mercado de uma maneira mais próxima do absoluto e imponham suas vontades através de força econômica, determinando quais artistas terão ou não acesso ao espaço da rádio por meio do ‘jabá’.” (SILVA, H. da L p.171)
Hoje o rádio perdeu parte considerável de sua audiência mas continua com seu poder de propagação, tocar na rádio ainda é algo bastante relevante, mas se a banda não pode, ou se recusa a pagar o jabá tem a internet e a possibilidade da banda “correr por fora” produzindo e distribuindo seu material de forma independente.

Certamente as bandas que mais recorrem ao jabá são as que estão preocupadas com o número de público, seu sucesso depende de um investimento financeiro em espaços como rádios, TVs e revistas, já as bandas que procuram formar uma base sólida de fãs e galgar seu espaço por meio do reconhecimento e merecimento investem mais no capital simbólico.

Sucesso é algo relativo e pode ser conquistado de diferentes formas. Na opinião do autor e também na minha, a Fluminense FM teve um papel muito mais relevante para a cultura rock.


Em razão de, como agente mercadológico, ter possibilitado uma circulação mais ampla da produção musical por conta de estratégias de distinção, como a do play list, é possível afirmar que a Fluminense teve um  papel mais produtivo do que o exercido pela Rádio Cidade.” (SILVA, H. da L)

Por: Natália R Ribeiro
Artigo: http://www.unisinos.br/publicacoes_cientificas/images/stories/pdfs_fronteiras/vol10n3/163a172_art03_silva.pdf

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Metal Lyric – "Evil" Mercyful Fate

As letras das músicas representam uma dimensão simbólica muito importante para um gênero musical. Como boa parte das letras são em inglês, isso acaba passando meio que despercebida entre os fãs que não tem muita afinidade com a língua inglesa e no Metal elas representam um universo a parte.

A letra que peguei hoje é da música “Evil” da banda Mercyfull Fate, que conta com os vocais de King Diamond, profundo conhecedor do ocultismo e outras coisas bizarras. Certamente se sua mãe conhecesse o teor dessas músicas o Metal não seria bem visto na sua casa.

Mercyfull Fate – “Evil”
Álbum “Melissa” 1983

Tradução*

“Mal”

Eu nasci no cemitério
Sob o signo da lua

Erguido da minha cova pelos mortos
Eu fui feito mercenário
Nas legiões do inferno
Agora eu sou o rei da dor, eu sou insano

Você sabe que meu único prazer
É ouvir você chorar
Eu adoraria te ouvir chorar

Eu adoraria sentir a sua morte
Eu seria o primeiro
A assistir seu funeral
E o último a sair
Eu adoraria ouvir você chorar

E quando você estiver abaixo do solo
Eu vou desenterrar seu corpo
E fazer amor para sua desgraça

Oh, senhorita chore, e diga adeus

Você deve dizer adeus
Porque irei devorar a sua mente.

Letra original

Todas as letras deste álbum são do King Diamond e todas as músicas de Hank Shermann.

I was born on the cemetery
Under the sign of the moon
Raised from my grave by the dead
I was made a mercenary
In the legions of hell
Now I’m king of pain, I’m insane

You know my only pleasure
Is to hear you cry
I’d love to hear you cry
I’d love to feel you die
And I’ll be the first
To watch your funeral
And I’ll be the last to leave
I’d love to hear you cry

And when you’re down beyond the ground
I’ll dig up your body again
And make love to shame
Oh lady cry, and say goodbye
Oh lady cry, and say goodbye

You’ve gotta say goodbye
‘Cause I will eat your mind

*tradução livre
fonte: http://en.wikipedia.org/wiki/Melissa_(Mercyful_Fate_album)

Heavy Metal, a importância da experiência ao vivo

Começo esse post a partir da leitura do artigo “Pegue seu bilhete; compre pipoca e esteja pronto para bangear! A performance do Big Four transmitida em cinemas e novas experiências para headbangers” de Melina Aparecida dos Santos (UFF)* que trata da reconfiguração da experiência de assistir coletivamente a um show de heavy metal “ao vivo”, uma vez que se está numa sala de cinema e não em frente a um palco.
“Se é para ver tal artista no telão, prefiro comprar o DVD e assistir em casa” ou “nem preciso ir para ver o show, será transmitido ao vivo pela internet”, são argumentos comuns para aqueles que por preferência, ou por falta de oportunidade, deixam de lado a experiência ao vivo. Por mais que esses shows sejam transmitidos em tempo real (o que em alguns casos, como do Big Four, deixa de ser cumprido à risca) a forma como aquilo é absorvido é diferente.
Ver ao vivo um show de sua banda favorita da platéia é uma experiência única, você está rodeado de fãs. Tem sempre aquela expectativa do momento em que a banda subirá no palco, a excitação de quando eles aparecem pela primeira vez no palco, as pessoas cantando junto, o som ensurdecedor e você sente aquilo na pele. Apesar de em casa você conseguir ver todos os detalhes, não restará muito dessa sensação que se tem no show ao vivo.
A performance existe não só para os artistas que estão em cima do palco, mas também depende muito da platéia, do público, no heavy metal isso é bem claro. Espera-se que o público seja agitado, balancem as cabeças, façam os chifrinhos com as mãos, dependendo da agitação, que formem rodas, mosh pits e wall of death, em casa, ou no cinema, a performance por parte do expectador é um tanto contida, reprimida, não há a troca, “a comunicação” com a banda.
Assistir a um show da platéia, num cinema, em casa com os amigos, pelo computador, cada uma dessas possibilidades configuram uma experiência diferente, neste caso, podem haver mais, de quatro formas diferentes de presenciar um mesmo evento.
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