Paradise Lost, a perseguição do Metal

O filme é um documentário que mostra o julgamento de três rapazes, Jessie Misskelley, Jason Baldwing e Damien Echols, acusados pelos assassinatos brutais de três crianças, mutiladas e estripadas em West Memphis Arkansas, EUA, em Maio de 1993. 
Apesar de não terem sido achadas provas concretas, sendo o julgamento baseado em confições e relatos, os três foram condenados. Echols foi executado, Jason e Jessie pegaram prisão perpétua.
O documentário deixa uma série de questões em aberto, a ponto de não sermos capazes de julgá-los de fato culpados ou inocentes, mas mostra como naquela época, a 17 anos atrás, ouvir Heavy Metal e vestir-se de preto era um forte indício de sujeição criminal, que inclusive poderia ser usado em juizo contra o réu.
“‘É tão fácil para a região central dos Estados Unidos olhar para as pessoas que são um pouco diferentes e marginalizá-las’, afirma Bruce Sinofsky, diretor do filme Paradise lost: the child murders at Robin Hood Hills. ‘Então, quando acontece um crime que não pode ser resolvido porque não há provas, eles podem dizer que é um crime relacionado ao ocultismo e, de alguma forma, acabar sendo ligado a cena Heavy Metal. Não existe muita lógica nisso. Nunca é possível saber de onde vem até que se conviva nesse ambiente. É assustador’.” (CHISTE, 2010 p.368)
     O Heavy Metal vem sendo perseguido desde a década de 70, quando líderes religiosos queimavam os discos que pertenceram aos seus fiéis. Em 1980 o PMRC ( Parent’s Music Resource Center, formado em 1984 por Tipper Gore, Susan Baker e outras esposas de membros do congresso ) levou paulatinamente à censura dos discos de Heavy Metal e a boicotes por parte das grandes lojas que se recusavam a vender discos “sujos”. Em 1985 a RIAA ( Recording Industry Association of America), Associação das Indústrias fonográficas dos Estados Unidos, concordou voluntariamente em colar adesivos nos lançamentos que fossem potencialmente ofensivos.
     
    Em 1986 a Metal Blade Records, de Brian Slagel, que era ligada à Warner Bros. viu-se obrigada a justificar letras de bandas de Death Metal como Cannibal Corpse. Recusando-se a fazer com que as bandas retirassem as músicas censuradas de seus álbums, a Metal Blade Records voltou a distribuição de forma independente. 
 O Cannibal Corpse tornou-se a primeira banda de Death Metal a estrear nas paradas da Billboard
    Se por um lado o Metal foi obrigado a encontrar formas alternativas de existência por conta de toda essa perseguição que já vinha de décadas, por outro quanto mais perseguido e mais atacado pelas autoridades mais aumentava a curiosidade por parte dos fãs e possivelmente o número de adeptos.

Bibliografia: CHISTE, Ian. Heavy metal: a história completa; tradução Milena Duarte e Augusto Zantoz. São Paulo, Arx, 2010.
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Sobre Natália Ribeiro

*Editora do blog Rockalogy desde 2009 *Editora e Produtora do canal Metal Ground *Mestranda em Comunicação Social pela Universidade Federal Fluminense - UFF *Graduação em Estudos de Mídia - UFF *Membro do Laboratório de Pesquisa em Culturas e Tecnologias da Comunicação - LabCULT, ligado ao PPGCOM/UFF. *Headbanguer Full Time

Publicado em 14 de dezembro de 2011, em Posts. Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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