Arquivo mensal: novembro 2011

Quanto Vale a Música? "Grátis"

Sniffin’ Glue, famoso fanzine fundado em 1976, mais em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Sniffin%27_Glue
Fico imaginando o quão difícil é para uma geração que nasceu após a década de 80, entender que em um determinando momento da história era preciso pagar para ouvir música. Talvez para essa geração um CD seja mais um objeto de culto, como um poster, do que uma mídia de reprodução sonora. 
Antes da digitalização da música e da web 2.0, do formato MP3 e dos sites de compartilhamento, a música circulava por fitas K7, o que representara uma revolução. Antes da fita K7, lançada oficialmente em 1963, popularizada na década de 70, e largamente utilizada até a década de 90, a única opção era o rádio, os discos ou ao vivo.

Para entender melhor o que acontece com o mercado da música na atualidade é importante desnaturalizar a ideia de que a música é, ou sempre foi grátis e também se pensar nas implicações do “grátis” sobre ela.

O início
No final da década de 30 as transmissões de música pelo rádio eram feitas no formato ao vivo, os músicos e os compositores eram pagos por apresentação. Mas como as apresentações eram recebidas por milhares de pessoas, muito mais do que caberiam numa casa de espetáculos numa única apresentação, a ASCAP, American Society of Composers, Authors and Publishers, passou a querer cobrar de 3% à 5% em direitos autorais sobre o faturamento publicitário bruto da emissora de rádio.
As emissoras de rádio decidiram então extinguir totalmente as apresentações ao vivo e passaram a tocar apenas discos nas suas transmissões.
Em resposta a ASCAP convenceu seus membros mais importantes, como Bing Crosby*, a pararem de gravar discos, isso após 1940 quando a Suprema Corte decretou que as estações de rádio podiam reproduzir o disco caso o comprasse.
Com uma oferta cada vez menor de músicas novas para tocar e um pagamento de direitos autorais que as levaria a falência, as emissoras reagiram organizando o próprio orgão de direitos autorais, a BMI, Broadcast Music Incorporated.
A BMI passou a atrair então uma série de artistas do rhythm-and-blues, country, western e músicos regionais, que normalmente eram desprezados pela ASCAP. Em troca de uma maior exposição esse artistas menos populares permitiam que as estações de rádio tocassem sua música gratuitamente.
Com isso o  rádio passa a ser considerado o principal canal de marketing para os artistas, que com uma maior exposição passariam a ganhar mais dinheiro com discos e shows.
“Em vez de acabar com o negócio da música, como a ASCAP temia, o Grátis ajudou a indústria musical a crescer e prosperar significativamente” (ANDERSON, 2009, p.45)
Atualmente com a digitalização da música e os sites de compartilhamento a venda de discos baixou consideravelmente, porém a ideia do grátis como marketing persiste e como Anderson aponta no texto, as gravadoras continuam sendo contrárias ou resistindo de alguma forma.

No underground a distribuição de música gratuitamente possui raízes históricas, primeiramente com as trocas de fitas K7 no final da década de 70, com o movimento Punk, permanecendo até hoje com a troca de músicas online no formato MP3.


* Considerado um dos maiores cantores populares do século XX na década de 30.

Por Natália R. Ribeiro
Referência bibliográfica: 
ANDERSON, Chris.Free: grátis: o futuro dos preços. Rio de Janeiro: Elsevier, 2009. 

Entrevista: Dick Siebert (Korzus) fala dos 28 anos da banda e sobre o Heavy Metal no Brasil

Entrevista concedida ao webcanal Arquivo Underground (http://www.youtube.com/user/arquivounderground), publicada em 17/11. Registro importante para a cena Metal nacional.

” O Heavy Metal esta no seu melhor momento”, ” Metal no Brasil não é fácil não, só sobrevive quem é cascudo”, “A gente vive do Heavy Metal, nosso estilo de vida é o nosso trablho.”
Confiram

Documentário "Profissão: Músico"_comentado


O documentário trata da dificuldade de se sobreviver de música num tempo em que não precisamos pagar pra consumi-la. Com a internet, os softwares e os sites de compartilhamento podemos baixar praticamente tudo no que diz respeito a bens culturais, como livros, séries, filmes e músicas. Se conseguimos isso de graça então por que pagar por isso?

O problema é que existe um custo para a produção, e não estou tocando aqui nem na questão da crise da indústria fonográfica, falo dos artistas e bandas independentes mesmo. O custo para ser produzir um material de qualidade é considerável, quando não é investimento de dinheiro diretamente, ha todo o tempo e o trabalho investido pelas pessoas que estão envolvidas, e esses custos não encontram retorno quando a música é baixada.

Vejo como um grande esforço jogado fora a tentativa das grandes gravadoras de restringir os downloads e de caçar os culpados, o que deve ser feito é uma readaptação ao mercado. Com o espaço disponível na rede os artistas passaram também a poderem mostrar seu trabalho para o mundo, sem o intermédio da indústria. Hoje qualquer um pode fazer uso disso, se lançar.

Com tanto material na rede, com o excesso, cada vez mais filtros são necessários, no caso dos artistas independentes a sua base de fãs será construída no boca-a-boca, seja on-line, seja de amigo em amigo, e é claro tocando. O conhecimento da cena e do público com o qual está dialogando é essencial nesse sentido.

Se o artista/banda não ganha dinheiro vendendo CD ele ganha nos shows, na venda de merchandising, ou em outras atividades, mas mesmo assim o CD continua importante, pois é importante que ele tenha o registro do seu trabalho, que tenha como mostrar as suas músicas. CD que eu digo nesse caso é o álbum como um coleção de faixas que não necessária mente se complementam como uma narrativa ou pertençam a uma mesma “leva criativa” do grupo.

Eu acredito que tenha muita banda de qualidade circulando pelos meios independentes e underground, mas que elas dependem ainda de uma lógica midiática para poderem acontecer. O musico nessas periferias ainda não é valorizado e a sua música custa a ser ouvida, mas cada vez mais o próprio meio vem se organizando para providenciar isso. Prefiro pensar dessa maneira.

Como estou há um certo tempo pesquisando e de certa forma envolvida com o cenário underground de música pesada, tenho contato com ótimas bandas diariamente, mas não sei dizer se pessoas menos engajadas, por assim dizer, teriam as mesmas possibilidades de contato com esse material que eu tenho. Vejo bandas excelentes, essas bandas na maior parte das vezes nem se quer almejam um contrato com uma grande gravadora, pois sabem que sua proposta não seria compreendida, é imprescindível conhecer o público com o qual se está dialogando.

Por conta da dificuldade de encontrarem apoio, essas bandas quando muito, procuram selos especializados para que seu material seja de alguma forma veiculado em formato de CD, normalmente elas lançam EPs online que ficam disponíveis para a audição em streaming e assim o público tem acesso a seus materiais. O produto de fato é a banda, a experiência do show, e não o CD propriamente dito, embora este ainda seja de grande importância como registro para a banda, tem também as camisas e outros itens personalizados que contribuem na arrecadação.


Natália R. Ribeiro

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