Do LP ao EP on-line parte I

Pensar a história da música a partir de sua articulação com artefatos tecnológicos é uma boa forma de escaparmos de linhas de pensamentos deterministas que alardeiam sobre o fim das escutas tradicionais ligadas aos discos, às canções ou a certos aparelhos de reprodutibilidade. Fala-se muito no fim da indústria da música, como se isso fosse o fim da própria música, sendo nunca se ouviu tanta música quanto temos ouvido hoje, nos nossos computadores, nossos MP3 players, telefones celulares e etc.

Um mergulho mais a fundo na história das tecnologias nos mostra que o que nós temos são reconfigurações nos modos de produção, consumo e circulação, que são, se não provocadas, incitadas de alguma forma por esses aparelhos e seus diferentes usos. Dividirei este post em duas partes e darei um pequeno salto de 1888 a 1920 buscando o que mais nos interessa, sem fazer com que ninguém desista da leitura.

Em meados dos anos 20, associado ao sistema de gravação elétrica, o disco de ebonite de 10 polegadas, 78 r.m.p, suportava cerca de 4 minutos de gravação, devido a essa “limitação” as canções gravadas neste período tinham necessariamente essa média de tempo, o que acabou ficando como herança até os dias de hoje, quando mesmo sem essa limitação, continuamos a pensar música em médias de 3, 4 minutos de duração.

O LP “Long Play”, disco de vinil de 12 polegadas, foi lançado pela Columbia em 1948, e junto com ele veio o formato álbum, pois agora era possível comportar mais músicas num só produto, além disso veio também a questão da arte da capa, a ficha técnica do artista, as letras das músicas e uma série de coisas. Foi a partir do LP que a produção de música tomou formato industrial.

Em 1963, já com a exploração da gravação magnética em 4 canais em curso, melhorando a qualidade do som e baixando os custos de produção, entra no mercado a fita cassete. A fita K7 permitia através de gravadores que as pessoas copiassem os discos e distribuísse entre amigos, permitia também a montagem de uma “playlist”. Por ser uma mídia mais barata e mais acessível, ela se tornou o formato preferido pelas bandas para mostrar seus trabalhos. Vídeo suplementar

No próximo post vamos falar do protocolo MIDI, da gravação digital, do CD, do MP3, dos sites de compartilhamento e por fim das estratégias que as bandas vêm utilizando para divulgar os seus trabalhos e como isso tem reconfigurando o mercado musical e as formas de audiência da música.

Bibliografia: Sá, Simone – A música na era de suas tecnologias de reprodução, em XV COMPOS. Junho 2006

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Sobre Natália Ribeiro

*Editora do blog Rockalogy desde 2009 *Editora e Produtora do canal Metal Ground *Mestranda em Comunicação Social pela Universidade Federal Fluminense - UFF *Graduação em Estudos de Mídia - UFF *Membro do Laboratório de Pesquisa em Culturas e Tecnologias da Comunicação - LabCULT, ligado ao PPGCOM/UFF. *Headbanguer Full Time

Publicado em 7 de setembro de 2011, em Posts. Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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