Arquivo mensal: setembro 2011

Redson Pozzi, Cólera

Hoje de madrugada recebemos a notícia do falecimento do músico Redson Pozzi, líder da banda Cólera, considerada uma das primeiras bandas punk do Brasil, formada em 1979. Infelizmente nosso tempo na Terra é um tanto limitado, porém a nossa arte transcende a barreira do tempo. Descanse em paz; o movimento por aqui segue, o punk nunca vai morre, Redson Pozzi e a banda Cólera estarão sempre conosco.

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Cenas Musicais, O underground

Banda Leviaethan/RS Foto: Arquivo pessoal
É comum usarmos o termo “cena” com bastante naturalidade, mas o que estamos querendo dizer de fato quando falamos em “cena Metal” ou “cena underground”? Para tentar vislumbrar estas questões farei uso do texto “Entre os afetos e os mercados culturais: as cenas musicais como formas de mediação dos consumos musicais” de Jeder Janotti e Victor de Almeida, respectivamente, professor e mestrando do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Federal de Pernambuco, que entre outras atividades, são declaradamente headbangers.
O termo “cena” começou a ser explorado mais largamente por jornalistas “nas décadas de 80 e 90 para conceituar as práticas musicais presentes em determinados espaços urbanos e seus desdobramentos sociais, afetivos econômicos e culturais” (JANOTTI e PIRES, 2011, p.8). Para os autores o conceito de cena foi pensado para abarcar os modos como a música se faz presente nos espaços urbanos.
Mesmo a música fazendo parte de um processo de construção identitária individual, somos nós que decidimos o que ouvir, como ouvir e aonde ouvir; é no espaço urbano que se dá os diferentes modos de materialização do seu consumo e a identificação coletiva (neste sentido há de se considerar a comunidade virtual, que também forma inter-relações de escuta com o que podemos considerar como espaço público).
Por materialização do consumo podemos entender as práticas sociais e econômicas que se constroem a partir de um produto, no caso, uma determinada música, uma banda ou um gênero musical. Se pensarmos em um evento, temos as bandas tocando, os público, o bar, “a roda”, os amigos discutindo sobre música e etc. todas essas práticas fazem parte da materialização do consumo da música, que é quando a música deixa de ser apenas uma escuta passiva no seu fone de ouvido e passa a fazer parte de um processo de identificação e interferência no social.

“A formação de uma cena, local em que também é possível o reconhecer a participação de atores sociais envolvidos na cadeia produtiva da música, desde a sua composição e gravação até o seu consumo final, subentende uma série de implicações. A principal delas é o desenvolvimento social e econômico do espaço urbano, através da formação de um grupo que se “identifica” com a cena e atua na disseminação da informação e conhecimento dentro da cena, forjando redes sociais, afetivas e mercadológicas ao redor de certas práticas musicais.” (JANOTTI e PIRES, 2011, p.12).

A cena de Metal não se organiza como a de Axé ou como a cena de MPB, isso afirma que a lógica da cena é perpassada pelas convenções dos gêneros musicais, sendo o Metal um gênero de características globais, os autores afirmam que essa identificação da cena com o global, se dá a partir nas convenções locais e a forma como ela se afirma mundialmente. A cena do Rio não a mesma que a cena de São Paulo, que não é a mesma de Belo Horizonte, mas todas juntas formam a cena nacional, e a cena nacional compõe a cena global.

“Na verdade podemos supor que o que caracteriza uma cena musical são as interações relacionais entre música, dispositivos midiáticos, atores sociais e o tecido urbano em que a música é consumida.” (JANOTTI e PIRES, 2011, p.20).

Fazer parte de uma cena, portanto, diz respeito não apenas a ir a eventos, ou produzir eventos, mas estar de certa forma ligado ao circuito social, cultural e econômico no qual ela se insere. Gosto de pensar em cena como um organismo, um ecossistema. 
Bibliografia:
“Dez anos a mil: Mídia e Música Popular Massiva em Tempos de Internet”
Janotti Jr, Jeder Silveira; Lima, Tatiana Rodrigues; Pires, Victor de Almeida Nobre (orgs.) – Porto Alegre: Simplíssimo, 2011

Do LP ao EP on-line parte II

“A continua democratização do acesso dos músicos às tecnologias de gravação consolida-se com a introdução do protocolo de hardware/software MIDI (Music Instrument Digital Interface) em 1983, que possibilita a associação de sintetizadores digitais, samplers, baterias eletrônicas e computadores, trabalhando conectados em rede, consolidando a noção de home studio.” (Sá, Simone 2006)

A transformação do som em cadeia numérica permite a sua manipulação, edição e alteração de maneira facilitada.  No mesmo ano o CD, compact disc, 4,5 polegadas, é lançado, tornando-se o principal meio de lançamentos musicais, substituindo paulatinamente o LP no mercado. Com os avanços tecnológicos a produção de música estava cada vez mais acessível, era a época das gravadoras independentes também formarem e consolidarem seu mercado.

O MP3, abreviação de MPEG 1 Layer-3 ou (Mini Player)(camada 3),fruto de um estudo que se iniciou na década de 70 (sendo padronizado finalmente pela Sony, em 1995) , é um formato de áudio compactado que ignora as camadas sonoras imperceptíveis ao ouvido humano. Esse formato permitiu armazenar músicas no computador sem ocupar muito espaço e sem tirar a qualidade sonora das canções, o que o popularizou como forma de distribuir música pela rede. Neste momento a música não precisa mais de um formato físico para ser consumida.

Em 1999, Shawn Fanning cria o programa de compartilhamento de arquivos .mp3 em rede P2P (per to per ou par a par) Napster, e da início a era dos downloads de música na internet. A indústria da música entra em colapso, não é mais preciso pagar para consumir música, as vendas caem vertiginosamente, ao passo que desde então mais e mais músicas são disponibilizadas na rede.

Esse vôo a jato sobre a história da música e suas tecnologias serve agora de background para ilustrar o ponto principal deste post, o EP on-line. Esse formato tem feito parte da estratégia de lançamento de muitas bandas, e nada mais é que o álbum da banda sendo disponibilização para download na íntegra e em grande parte das vezes de forma gratuita. Essa tem sido uma alternativa para aqueles artistas que não conseguem entrar para uma gravadora ou como forma independente de mostrar seu trabalho.

Porém é sabido que mesmo sendo auto produzido, esse material demanda um grande custo à banda o que leva a outras questões como: O que leva as bandas a lançarem seus álbuns on-line? Quais as características deste formato? Como a música é capitalizada nos dias de hoje? O CD morreu ou está se reconfigurando? Quais as novas práticas de consumo musical?

Seguimos a procura das respostas.


Referências:
Sá, Simone – A música na era de suas tecnologias de reprodução, em XV COMPOS. Junho 2006
http://pt.wikipedia.org/wiki/MP3
http://pt.wikipedia.org/wiki/Napster

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