A origem do Heavy Metal em BH – Doc. Ruído das Minas

Dirigido por Felipe Sartoreto, o filme 2009, remonta os momentos iniciais, o surgimento do Heavy Metal em Belo Horizonto, MG. Integrantes das bandas Overdose, Mutilator, Sarcófago, Chakal, Witchhammer, Sextrash, Holocausto e Kamikaze, dão seus depoimentos de quando a loja Cogumelo era o principal point da “roqueiragem”, e o “tráfico” de K7s era o modo como as músicas eram disseminadas.
Naquele tempo eles recebiam informações através de fanzines e revistas e pela Fluminense FM, que na época tocava o que tinha de mais novo se tratando de Rock. Era Slayer, Metallica, Accept, Manowar etc, só que não era tão simples, os caras tinham que subir no topo do prédio com o rádio para pode sintonizar, a partir daí eles procuravam os discos.
Mais ou menos na mesma época, São Paulo também era pólo do Rock no sudeste, mas em BH as bandas tenderam a fazer um som mais pesado, Black Metal e Death Metal. O legal é que no filme são apontados alguns fatores possíveis para esse direcionamento mais pesado:
  • A sociedade mineira, com cidades pequenas, forte cultura religiosa nos lugares;
  • O período de ditadura militar, jovens se sentindo mais reprimidos;
  • A qualidade dos equipamentos disponíveis;

Esta última de cunho tecnológico. Segundo depoimentos, devido à má qualidade dos equipamentos o som sempre saía mais sujo, pesado, mais tosco.
É interessante observarmos os elementos importantes para a constituição e manutenção dessa cena, que pode ser tida como precursora naquela localidade, que são:
  • Fanzines e revistas;
  • A loja Cogumelo, provedora de material, demarcação territorial, ponto de encontro etc;
  • Bandas, as bandas também eram o público, e os principais consumidores de música;
  • Os festivais;
  • A produção musical, gravação e distribuição de material das bandas;

A principal diferença ao se comprar à cena atual, de uma forma geral, é a perda da centralidade. Hoje as lojas não têm mais tanta influência, não geram tanta mobilização, os fanzines estão pela rede, as poucas revistas que restaram não dão conta da produção underground. A produção está cada vez mais a cargo da própria banda, assim como a distribuição e o público aumentou, mas esta disperso.
Buscar trazer de volta essa centralidade, esse foco à cena, tem sido um desafio, ainda mais porque não estamos mais na década de 80, quando o Metal era o Rock e o Rock estava no auge, hoje ninguém espera que alguma rádio do Rio vá tocar Slayer, o Metal foi banido desde aquela época.
Vamos nos rebelar!

PS. O Filme também está disponível no YouTube em partes

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Sobre Natália Ribeiro

*Editora do blog Rockalogy desde 2009 *Editora e Produtora do canal Metal Ground *Mestranda em Comunicação Social pela Universidade Federal Fluminense - UFF *Graduação em Estudos de Mídia - UFF *Membro do Laboratório de Pesquisa em Culturas e Tecnologias da Comunicação - LabCULT, ligado ao PPGCOM/UFF. *Headbanguer Full Time

Publicado em 3 de maio de 2011, em Posts. Adicione o link aos favoritos. 4 Comentários.

  1. Acredito q por mais q todos os fatores que contribuem para uma cena de metal, nessa epoca fossem bem precarios acho q tudo funcionava melhor.Hj a facilidade estragou um pouco o misticismo que deveria sempre existir no metal.Na cena, nas bandas, nos albuns entre outras coisas.

  2. Não sei se podemos apontar a facilidade como causa, lá na Inglaterra a cena tbm era forte, e lá foi o epicentro da parada, os caras tinham as coisas na mão, e nem por isso deixou de ser expressiva.Prefiro acreditar na hipótese do "descentramento" das atividades.

  3. eu adorei esse blog e muito manero e o dezenho e muito legal e a primera vez que eu entro nesse blog.

  4. eu queria tentar fazer uma cavera igual a essa ai de cima.

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