Falta ousadia no Underground

“Não somos uma banda pop, tão pouco fazemos música para tocar no rádio. Sempre seremos uma banda ‘underground’ uma banda que gosta de tocar para as pessoas, somos afortunados de poder sentir sua vibração, viajar e conhecer suas culturas”
Janick Gers _ Iron Maiden, em entrevista ao caderno “Circo” do jornal mexicano Récord.
Aproveitando a passagem recente do Iron Maiden pelo Rio de Janeiro, vamos usar essa frase do guitarrista Janick Gers para falarmos mais um pouco sobre o underground.
O Iron Maiden lá no final da década de 70 era uma banda underground, que nasceu do ambiente musical, subcultural, da Inglaterra naquele tempo, mas não dá para dizer que eles são underground hoje. Posso dizer que entendi o que ele quis falar, é como se ele dissesse, “nós somos e sempre seremos o Iron Maiden, nunca vamos perder a nossa ‘vibe’ de estar tocando aqui para vocês”. Pode ser que o Iron não toque tanto hoje nas rádios, mas já tocou muito em outros tempos, hoje a abertura para o Heavy Metal, ou a música pesada de uma forma geral, é muito menor, mas em compensação, conquistamos o nosso espaço.
O mercado se segmentou em diversos nichos. O Iron é da época das grandes gravadoras, dá época em que a maior aposta eram as bandas de Heavy Metal, hoje produz-se mais do mesmo. As gravadoras não querem mais investir em novos segmentos, elas só querem jogar para ganhar. O Iron da década de 70 foi inovador, e me parece que as bandas do underground hoje, andam repetindo esse comportamento das gravadoras, às vezes me parece, que para algumas bandas, falta um pouco de ousadia.
Às vezes sinto falta (não quero dizer que não existam bandas assim, mas penso que elas poderiam existir em maior número) daquela banda que desafie, que quer desestruturar e tem atitude e gabarito para isso. Eu vejo muita banda que quer ser diferente apenas para se destacar, dizer “nós somos os únicos que…”, contestar não é necessariamente você negar ou rejeitar o que já existe, mas sim questionar, propor uma forma diferente de ser. Não digo isso apenas em questão de sonoridade, mas também de atitude.
Tem muita coisa a ser feita, muito para se inventar, e é no underground que temos espaço para isso, para essa experimentação, não são as gravadoras que vão apoiar, alias, se a as gravadoras apóiam isso já é sintoma de sistematização.
Natália RR
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Sobre Natália Ribeiro

*Editora do blog Rockalogy desde 2009 *Editora e Produtora do canal Metal Ground *Mestranda em Comunicação Social pela Universidade Federal Fluminense - UFF *Graduação em Estudos de Mídia - UFF *Membro do Laboratório de Pesquisa em Culturas e Tecnologias da Comunicação - LabCULT, ligado ao PPGCOM/UFF. *Headbanguer Full Time

Publicado em 30 de março de 2011, em Posts. Adicione o link aos favoritos. 2 Comentários.

  1. Está tudo cada vez mais plástico e repetitivo,é dificil acreditar e algo inovador.Acredito em novas formulas, misturas de som q possam trazer algo diferente.Mas algo q crie uma nova onda ou mude a cena ,nao creio.Nao acho tao possivel no momento.bjo

  2. O som do Iron Maiden não veio do nada, de uma iluminação divina, nem o do Black Sabbath, o Heavy Metal não foi fruto de uma geração expontânea. Eu penso que temos que tentar parar de simplesmente reproduzir o que chega para nós, temos que deixar nossas marcas mais aparentes.

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