A pequena indústria underground

Houve um tempo em que o underground foi visto como algo próspero pelas majors, os tempos eram outros e o metal estava em alta, com Metallica e Iron Maiden no topo das paradas, as gravadoras estavam dispostas a investir, e iam buscar no underground seus novos talentos. O que dá para notar pelo trecho abaixo é que o underground tinha uma rede própria de produção e consumo, o trabalho realizado pelas grandes gravadoras era feito por gravadoras menores, que se aproveitavam da demanda do público metal que só fazia crescer e não era contemplado pela mídia existente. Havia maior exposição da música pesada.
“O sucesso do Metallica indicava que o futuro não estava no glam metal de Hollywood – os grandes selos agora seriam forçados a cortejar os formadores de opinião do underground em vez de tentar diversas fórmulas. Conseqüentemente, os operadores independentes que eram os peixes grandes no lago underground viram-se obrigados a se defender dos tubarões da indústria musical mainstream. Eles tinham os bilhetes premiados, e suas vantagens eram atraentes para os aproveitadores. ‘No final dos anos de 1980 e começo dos anos de 1990, quando o metal era enorme mesmo’, recorda Brian Slagel da Metal Blade, ‘as grandes gravadoras gastavam tanto dinheiro que era difícil competir com elas. Quinze ou 20 dos nossos empregados foram para as grandes gravadoras. Era quase a mesma coisa com as bandas, que, quando encontradas e desenvolvidas, tornavam-se imensas.’
Formada por rádios universitárias, editores de fanzine e selos menores, uma pequena indústria se desenvolveu. (…) ”
 
CHRIST, Ian. Heavy metal: a história completa. São Paulo: Arx, Saraiva, 2010
Hoje dificilmente ouvimos falar de metal na mídia, em compensação, a produção e o consumo de música aumentou exponencialmente graças a internet. As gravadoras não vendem mais CDs em grandes volumes, sem muita verba para investir, elas têm preferido não arriscar e apenas seguem tendências. Com o barateamento do custo de gravação e os home studios, diariamente uma avalanche de bandas disponibilizam novas músicas na rede, que podem ser ouvidas por qualquer um que possua acesso, em qualquer parte do mundo.
Se o alcance das gravadoras diminuiu drasticamente, a “pequena indústria underground” também sofreu sua crise, o underground também teve que se repensar depois da era dos downloads e a atual “streaming fever”.
É realmente difícil para uma banda chegar de forma incisiva ao seu público e fazer a “manutenção” da sua audiência. Por mais legal que seja uma banda daqui tocando pra uma galera lá na Suécia, é muito mais complicado manter-se na playlist dos fãs que estão longe. A função dos mediadores da cena é cada vez mais importante.
Natália R. Ribeiro


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Sobre Natália Ribeiro

*Editora do blog Rockalogy desde 2009 *Editora e Produtora do canal Metal Ground *Mestranda em Comunicação Social pela Universidade Federal Fluminense - UFF *Graduação em Estudos de Mídia - UFF *Membro do Laboratório de Pesquisa em Culturas e Tecnologias da Comunicação - LabCULT, ligado ao PPGCOM/UFF. *Headbanguer Full Time

Publicado em 16 de março de 2011, em Posts. Adicione o link aos favoritos. 1 comentário.

  1. A facilidade de gravar hj em dia q as bandas tem, de levar a outros lugares o som atrapalha um pouco de certa forma.As bandas antigamente quando investiam em uma gravação já estavam mostrando um grande interesse em seguir um caminho serio , bandas q se sacrificavam e iam ate longe tocar suas músicas tinham mais méritos ,qro dizer q faziam a gravadora se interessar.Hj nao significa quase nada vc ter uma gravação, pessoas podem escutar suas milhares de bandas do mundo todo sem sair do quarto.Qualquer um toca e qualquer um escuta.Era algo com mais valor alguém de um lugar diferente conhecer sua banda.bj

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