Arquivo mensal: outubro 2010

Rock e Identidade

“Não há como focalizar a problemática da identidade e driblar a questão do pertencimento. Seria o mesmo que considerar a identidade apenas pela metade, observando-a apenas do ângulo da originalidade e da diferença, eliminando qualquer referência ao outro lado da moeda e semelhança e a aproximação.”
Toda identidade se dá por consenso e conflito, ela não é composta apenas por aquilo que nos faz ser únicos, mas também por aquilo que possibilita sermos identificados, essa identificação se faz por comparação a outros pares.
“Quem é algo é sempre algo para outros; e quem é algo para outros relaciona-se com eles e participa, com eles, de alguma experiência gregária.”
Todas as bandas prezam, ou deveriam prezar, por sua identidade, por aquilo que as tornam únicas, mas ao mesmo tempo fazem isso pensando num público alvo, que deverá reconhecer nas músicas da banda referencias de um repertório já conhecido.
Texto: Soares, Eduardo Luiz – Juventude e violência no Brasil contemporâneo

Natália R. Ribeiro

Punk e Heavy Metal

O Heavy Metal já estava lá quando o Punk deu as caras no final da década de 70, lá que eu digo é Nova York e Los Angeles de onde depois se espalhou. É fácil esvaziar a atitude Punk de hoje, apesar do movimento estar em eterna resistência e também ter se subdividido, como um amigo disse certa vez: “Ele vai assustar a quem com esse visual? O Trocador do ônibus?”, mas no final da década de 70 o Punk desbravava territórios.
Ele tinha uma relação diferente com a música, musicalmente a regra era fazer o contrário do que as bandas de Heavy Metal e Hard Rock vinham fazendo até então, ou seja, nada muito melódico, ou melhor, esquece a melodia, a música era a mais simples possível. Esse tipo de atitude mostra que a questão central do Punk não estava na música em si, mas no que vinha junto com ela. Se por um lado as melodias eram pobres e (muitas vezes propositalmente) mal tocadas, as letras eram sobrecarregadas de palavras de ordem, de protestos, de manifestos, etc. da forma mais direta possível.
O Punk era visual e atitude, tinha a questão comportamental e a da moda/consumo, esses quesitos não se sobrepunham à música e vise-versa, estavam unidos e quase inseparáveis. Nesse momento as bandas de Heavy Metal (nesse caso as que surgiram em 70) viram o apoio das gravadoras caírem de forma considerável, em conseqüência disso diversos selos independentes estavam se formando e ganhando mercado, o que possibilitou uma maior autonomia para os estilos musicais que a partir daí se segmentariam em diversas vertentes, algo estava mudando.
1977 – Never mind the bollocksm here’s the Sex Pistols _ Sex Pistols
1977 – Motörhead _ Motörhead
Nesse mesmo ano Ozzy Osbourne deixa o Black Sabbath dizendo que os últimos álbuns estavam depressivos demais para ele, que também estava enfrentando um momento difícil, mas volta a tempo de gravar Never Say Die, que é lançado em 1978.
Não é que o Punk deva algo ao Heavy Metal, nem que o Heavy Metal deva algo ao Punk, o que eu quero mostrar é que foram movimentos contemporâneos, que coexistiram durante um determinado período de tempo (+ ou – 1976 a 1980), e que por isso não escaparam ilesos dos seus eventuais choques e contatos, houve sim uma auto-contaminação.

Fim de semana “neurótico”

Este último fim de semana foi para deixar a galera com dor no pescoço o resto do mês. Dia 8, sexta-feira teve Canilive no TNQ (Tanque – RJ), a banda que vem se destacando por suas performances ao vivo não fez diferente, deixando o público com os olhos grudados no palco e os tímpanos alheiros em frangalhos.
Para deixar a apresentação ainda mais especial, D. Arawn, guitarrista do Hatepride, subiu ao palco para dividir os vocais com Gustavo (Gutt), na música “Taste of Blood”, da primeira demo de 2008. Sem dúvidas o Canilive é a voz do Death / Grindcore carioca e vôos mais altos estão à espreita.

Na madrugada de sábado para domingo (09 e 10 de Outubro) o Hatepride manteve a galera de pé e batendo cabeça no Heavy Duty (Praça da Bandeira – RJ), o show de tributo ao Pantera terminou já estava claro, entre seu repertório próprio a banda mandou clássicos como Walk, 5 Minutes Alone e Cowboys From Hell.
Diferente das outras bandas que tocaram no mesmo dia, J.P, o vocalista, deixou bem claro no começo do show que o Hatepride não era uma banda cover, que aquele era apenas um tributo a uma das maiores bandas de metal do mundo. O Recado pode até ter desagradado a alguns, mas mostrou que a banda tem atitude de sobra.
Com problemas técnicos e num horário horroroso a banda teve que mostrar todo seu profissionalismo, o que mais tarde foi reconhecido pela ótima resposta dos que estavam presentes. UNDERGROUND NA LUTA!

Natália R. Ribeiro
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