Rock e Juventude

A idéia de juventude não é moderna, sua origem etimológica remete a Roma, quando os filhos dos nobres eram “príncipes da juventude”, no entanto, juventude como uma categoria social simbólica, que aponta para um recorte geracional, que é muito variado de acordo com o tempo e o espaço, classificado socialmente, provém da modernidade ocidental após a segunda metade do século XX.
“A novidade da década de 1950 foi que os jovens das classes alta e média, pelo menos no mundo anglo-saxônico, que cada vez mais dava a tônica global, começaram a aceitar a música, as roupas e até a linguagem das classes baixas urbanas, ou o que tomavam por tais, como seu modelo. O Rock foi o exemplo mais espantosos. Em meados da década de 1950, subitamente irrompeu do gueto de catálogos de “Raça”ou “Rhythm and Blues” das gravadoras americanas, dirigidos aos negros pobres dos EUA, para tornar-se o idioma universal dos jovens, e notadamente dos jovens brancos.”
Eric Hobsbawm _ A Era dos Extremos, o breve século XX, 1914-1991 (cap. 11, Revolução Cultural)
Por que o Rock? Porque é ele que melhor traduz as idéias da juventude, da nossa e daquela época, por isso que enquanto existir os jovens o rock vai sempre estar presente, nas suas mais diversas formas. Cada vez mais a juventude se estende, mesmo quando não se é mais jovem segundo a classificação biológica*, preserva-se o estado de espírito, “quero ser jovem para sempre”, que vem da concepção cultural sobre a juventude, que está ligada a faixa-etária quando pensado como nicho de mercado, mas que no universo simbólico se materializa em diversos sistemas de representação, como, roupas, praticas esportivas, música, alimentação, etc. tendo como elemento central aqui o consumo.
Quando eu vejo a molecada com a camisa do Iron Maiden eu penso “Esses caras já estão velhos, eles tem mais tempo de banda do que eu de vida, mas cara, eu me identifico” e esses meninos e meninas também, isso trás uma renovação que deve funcionar como elixir da juventude pra esses caras, que embora não sejam mais jovens, têm o poder de emanar esse espírito. É aquilo, dizem que a música é atemporal, e pensando nesse sentido ela é mesmo, esses caras todos vão morrer um dia (e vão para o olimpo), mas a música vai ficar.
*14-18_adolescência, 18-24_juventude (variando entre 15-24, 18-30), escala adotada pelo Ministério da Saúde, ONU e ECA.
PS. Agradecimentos especialíssimos a professora Ana Lúcia Enne, que este semestre está ministrando a cadeira de Mídia e Juventude, dentro do curso de Estudos de Mídia na UFF e de quem eu sou aluna e super fã.
Natália R. Ribeiro
 
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Sobre Natália Ribeiro

*Editora do blog Rockalogy desde 2009 *Editora e Produtora do canal Metal Ground *Mestranda em Comunicação Social pela Universidade Federal Fluminense - UFF *Graduação em Estudos de Mídia - UFF *Membro do Laboratório de Pesquisa em Culturas e Tecnologias da Comunicação - LabCULT, ligado ao PPGCOM/UFF. *Headbanguer Full Time

Publicado em 26 de agosto de 2010, em Posts. Adicione o link aos favoritos. 1 comentário.

  1. Gostei da foto.Detalhe q o lemmy ja tinha essa cara na epoca do hendrix!Acho q nós jovens vemos caras como ozzy e lemmy com os mesmo olhos das gerações anteriores,nao importa se envelheceram fisicamente,''ele é o ozzy'' eu nao penso num idoso eu penso num ícone algo como um personagem.Quantos anos teria o batman se somassemos os anos de sua existencia? Talvez mais velho do q o ozzy rs,mas ainda temos a mesma imagem na mente dos nosso ídolos ,eles se renovam ,se reiventam ,morrem de corpo mas continuam vivos

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