Arquivo mensal: julho 2010

Novas Configurações – Selos Independentes

“Desde o final da década de 80, quando o espaço na indústria fonográfica para o rock brasileiro encolheu, o investimento em elencos milionários declinou, acompanhando o recuo nas vendagens, e o garimpo de novos talentos foi terceirizado, ficando por conta de selos com os quais eram fechados contratos de distribuição.”
  Este artigo do Danilo Fraga “O beat e o bit do rock brasileiro: internet, indústria fonográfica e a formação de um circuito médio para o rock no Brasil”, publicado pela “Revista da Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação”, como o nome diz fala de um circuito médio, que começou a se configurar no final da década de 80 (se consolidando em 90), dentre outros motivos pelo desaquecimento da indústria fonográfica perante a inflação galopante da época (queda de 40%), a formação de selos independentes e a popularização do CD.
  Ele aponta como isso colaborou para uma maior adesão por parte do mainstream a segmentações do estilo que atuavam apenas no underground, gerando uma maior abertura, tanto para a indústria fonográfica, quanto na mídia.
“Dando preferência à contraposição dos termos mainstream e underground, Rushkoff (1996), por sua vez, entende que esta dicotomia é complexificada, sobretudo, no âmbito dos meios de comunicação. Partindo de uma análise dos meios de comunicação enquanto organismos que podem ser “infectados”, tanto por intenções das corporações quanto pelos atos subversivos de contestação ou pelas táticas de ações comunicativas, Rushkoff depõe a favor do caráter alternativo dos grupos marginais como uma resposta “natural” do “organismo”. Assim, mainstream e underground se “contaminam” num processo de imissão recíproca.”
  É como se o mainstream estivesse cada vez mais underground, e o underground cada vez mais mainstream, e de fato, isso pode ser notado, bandas como o Slipknot nos anos 90 provavelmente não sairiam na revista “Capricho”, ou teriam seus clips exibidos no Top TVZ da Multishow, por outro lado bandas do underground estão tendo que se virar para chamarem a atenção dos selos independentes, o que as leva a produzirem seu próprio material e a bolarem estratégias a níveis cada vez mais espetaculares, mais midiáticos.
  Os selos independentes são responsáveis pela descoberta e administração de novos talentos enquanto as majores distribuem o produto, valendo-se de seus aparatos logísticos. Mas esse esquema também tem se mostrado mais variante, com bandas que saem direto “do nada” para uma gravadora, ou bandas e nomes grandes que optam por selos independentes.
  No meio dessa bagunça o que conseguimos ver é que os selos independentes tem tido um papel importante nessa nova configuração do mercado musical, alterando inclusive a apreensão sobre os gêneros e os estilos, eles funcionam como mediadores importantes entre o underground e o mainstream, o que lembra muito o papel do produtor no underground, que foi assunto da nossa última conversa.
Natália Ribeiro.

“No primeiro programa de nossa web tv, uma entrevista com a banda Os Clodoaldos, intercalada com apresentações deles no “Dia do Rock”, o maior evento de Rock de 2009 em Niterói, produzido pela banda em parceria com o Arariboia Rock”

Web TV que pega bandas underground, bem legal a idéia.

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Produtores musicais no underground

O produtor musical está apenas produzindo, ou ele faz parte também do processo de gravação? É uma pergunta bastante complicada de se responder.
Pensar no produtor musical como mediador entre artista e indústria fonográfica, como definidor de gêneros de certa forma, é um caminho, mas quando voltamos nosso olhar sobre o underground todo se complica ainda mais. No underground existe esse borramento de fronteiras entre as diferentes figuras que participam do projeto de criação, há muitas coisas que devem ser reconsiderada, como o termo “indústria fonográfica”, pois nada é produzido em proporções industriais, estamos mais próximos do que seria uma fabricação artesanal.
A figura de produtor pode aparecer como um “divisor de águas”, quando uma banda underground tem um produtor ela já não é tão underground assim, parece que entra num outro nível, por isso a figura do produtor não pode ser deixada de lado.
Muitas bandas vêm produzindo suas próprias músicas, mais isso não lhes dá esse “plus”, a não ser que fosse produzida por uma figura conhecida.
Seria o caso de pensarmos que o que falta então no underground são produtores? Produtores que contam com know how e/ou algum reconhecimento?
Vou analisar melhor essas questões.

Hatepride na Ladeira

Dia 26 de Junho de 2010, Rock na Ladeira, Freguesia/Rj.

Evento aberto, trazendo quatro bandas DEF3, Hatepride, Nulos e Tilbill.
O nome “Rock na Ladeira”, não é meramente ilustrativo, a parada acontece, de fato, numa ladeira, numa subida, mal iluminada e que vai dar Deus sabe aonde, as bandas tocam na calçada e o público fica no meio da rua, o tráfego por lá fica lento, mas não é totalmente interrompido.
Este dia reuniu bastantes pessoas, ouvi boatos de que era porque outros points rock não estariam funcionando, mas acredito que a maioria foi mesmo para curtir as bandas, pois o evento era 0800 e as bandas eram boas.
O Hatepride foi a segunda banda a se apresentar (por volta de 23:00h), e a que reuniu mais público, o som, como sempre, não favorecia, acho que esses alugueis de som não incluem um técnico, os caras chegam plugam as paradas e vão embora, como se a equalização fosse um mero detalhe, mas enfim, parece que é pedir demais, já que ao menos dava para ouvir alguma coisa, quem ficou mais pro meio foi quem ouviu melhor. É nessas horas que o talento de uma banda é posto à prova, e o Hatepride fez uma apresentação digníssima, super empolgante, prendendo a atenção do público que estava mais a frente do palco e agitando a roda que a galera mais de trás abria.
Com quase dez mil acessos no MySpace e com dois perfis no Orkut lotados, apesar do pouco número de apresentações realizadas, as músicas New Comer In Hell, Code in Skin e Proud n’Strong, caminham para se tornarem clássicos da banda, quem vem sendo requisitada a tocar em outras partes do Rio de Janeiro. Nos shows essas músicas agitam e a galera canta junto, está mais do que claro que esta banda é uma das promessas para os próximos anos, por enquanto a banda segue fazendo shows e gravando mais músicas.
O por aí vai, eventos como o Rock na Ladeira são super bem vindos, pontos extras pelos DVDs do Dio e Black Sabbath, exibidos pelo barzinho ao lado do palco e, em clima de festa junina, pela fogueira que aqueceu um pouco a noite fria de sábado antes de começarem as apresentações.
 
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