Que tipo de som que eu toco? … ?

*Texto usado como base para este post:
Jeder Silveira Janotti Jr. – À procura da batida perfeita: a importância do gênero musical para a análise da música popular massiva.
Música popular massiva, grosso modo, é toda música veiculada por meios tradicionais e já estabelecidos de comunicação, como rádio, TV, jornais, revistas e internet, etc. Seu extremo oposto, se é que ainda podemos usar esse tipo de expressão nos tempos atuais, seria a música Folk, aqui no Brasil podemos citar o Maracatu ou o Frevo, esses gêneros não têm saída fora de um contexto local, pois estão intra-relacionados com a cultura local.
O Heavy Metal faz parte do repertório da música popular massiva e seus diversos sub-gêneros dizem muito da forma de apropriação, cooptação e consumo por parte de seu público.
“(…) Seguindo esse caminho, pode-se partir do princípio de que o lançamento de um produto musical envolve estratégias de divulgação que abarcam pelo menos duas questões: 1) com que se parece esse som? e 2) quem irá comprar esse tipo de música? Mas essas perguntas não são tão óbvias, não é uma simples questão de definição de gênero e pronto, vendagem imediata. (…)”
Neste artigo Jeder Janotti Jr. nos revela a problemática de “gênero musical”, que para nós, consumidores, apreciadores de música pesada, parece tão natural, mas depende de uma série de coisas, e não é algo fixo, variando até mesmo de pessoa para pessoa. Em qual prateleira você colocaria um disco da banda Shaman, em Artistas Nacionais, ou Rock Internacional?
“(…)de acordo com Frith (1998), para se mapear um gênero musical deve-se estar
atento para o seguinte percurso: convenções sonoras (o que se ouve), convenções de
performance (o que se vê), convenções de mercado (como uma música é embalada)
e convenções sociais (quais valores e ideologias são incorporadas em determinadas
expressões musicais).”
Somando se às convenções sonoras, de performance, de mercado e sociais, a mídia especializada também influencia na montagem do “gênero”, como mediadora do consumo musical, vê-se a quantidade de resenhas em revistas como a Roadie Crew por exemplo (só a análise dessas resenhas já valeriam um outro trabalho nesse sentido).
O autor destaca também o campo da performance, como campo comunicacional, codificado, e tensor entre o objetivo e o subjetivo, minimizando a idéia de que os gêneros seriam pré determinados.

“Do mesmo modo que uma canção é ao mesmo tempo a música e sua respectiva performance, a audiência não consome somente as sonoridades, bem como a performance virtual inscrita nos gêneros.”

No Underground tudo isso se intensifica, pois muitas bandas mal sabem nomear seu estilo. Ao contrário do que isso possa supor, não é falta de competência e nem de lealdade com o som, essas bandas transparecem, deixam claro, que o que se pode e deve esperar delas é performance, e isso pressupõe um contato mais direto. É o gênero sendo construído no “aqui e agora”, a partir de um consenso, como algo que pode ser negociado.
O problema disso é: como as pessoas que não participaram dessa “nomeação” vão entender o que ela quer dizer? Pessoas para quais a performance não será disponível no momento.
É aí que entra a questão áudio visual, questão que se faz crucial capa a captação da performance. MySpace e You Tube são as ferramentas elementares, junto com os sites de redes sociais.
… And the Stone keep on rolling
Natália R. Ribeiro
PS. vale lembra que performance aqui não é só a forma como é feito o show, mas a forma como a banda se presenta numa forma geral, em sua forma de tocar, em suas imagens publicadas, nos vídeos etc.
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Sobre Natália Ribeiro

*Editora do blog Rockalogy desde 2009 *Editora e Produtora do canal Metal Ground *Mestranda em Comunicação Social pela Universidade Federal Fluminense - UFF *Graduação em Estudos de Mídia - UFF *Membro do Laboratório de Pesquisa em Culturas e Tecnologias da Comunicação - LabCULT, ligado ao PPGCOM/UFF. *Headbanguer Full Time

Publicado em 10 de junho de 2010, em Posts. Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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