Arquivo mensal: junho 2010

O Poder das Redes Sociais

Matéria da revista Época (http://epoca.globo.com/infograficos/629_restart/629_ma_mus_grande.html) nos mostra o quando a incursão nas redes sociais é cada vez mais importante para a manutenção da imagem da banda. A matéria começa falando do “Happy Rock”, que classificaria bandas como Cine, Restart e Hori, todas nacionais, e gostem ou odeiem, para essas bandas parece não haver um meio termo, ou se ama ou odeia prufundamente, elas estão aí, e fazendo um super sucesso.

Os novos músicos devem boa parte da fama a suas movimentadas contas no Twitter, Facebook e MySpace. O séquito de fãs do Restart tem até nome, a “Família Restart”. Ela coloca a banda entre os assuntos mais comentados do Twitter no Brasil (os chamados “trending topics”) quase diariamente. E a interação é recíproca: a banda não mede esforços para agradar a seus seguidores. Sabe que a internet é hoje o meio mais importante para alcançar o sucesso. “Desde o começo, a internet foi nosso principal meio de divulgação”, diz Pe Lu. “Hoje ela supre as dificuldades de conversar com os fãs pessoalmente.”

Bruno, da Cine, diz que já conseguiu até convencer a mãe de uma fã a deixar a filha ir ao show deles. “Ela queria ir ao show, mas disse que sua mãe tinha medo. Então, pediu para que mandássemos um tuite (mensagem por meio do Twitter) para a mãe dela”, diz Bruno. Eles fizeram isso na hora, e rolou. “A garota conseguiu ver nosso show e ficou superfeliz.”

Esse contato mais direto com o fã, via internet, vem mudando profundamente a relação entre banda e público, no underground as experiências se dão muito no cara-a-cara, mas isso de forma alguma deveria suprimir a interação on-line, pois ela alcança distâncias incalculáveis.

É fato que os públicos de “Happy Rock”, são muito diferentes dos de Hardcore, mas é muita presunsão da nossa parte pensar que um encontra-se menos interado que o outro. Talves o público Hardcore não esteja de fato nas mesmas redes que os do Rock Feliz, mas isso não exclui outras áreas onde ele possa estar interagindo mais, no YouTube por exemplo.

Se tem uma coisa que podemos aprender com essa galera colorida, é justamente esta, de estar em sintonia com a sua platéia.

Fãs produzem seus próprios vídeos em homenagem à banda, fã clubes organizados gerando um spreading sobre as ações da banda.

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R. I. P – A Remix Manifesto

Direitos autorias, é o tema central deste documentário, que mostra que as leis precisam ser modificadas, pois vivemos em um outro tempo, caso contrário a arte, a criação na era da tecnologia digital continuará como algo marginal e criminoso.

Baixar músicas, ver vídeos no You Tube é ilegal, pois a maioria dos materiais disponíveis não foram liberados por quem detém seus direitos. Quem lucra com os direitos de propriedades sobre bens culturais não são os artistas, mas suas gravadoras e as empresas as quais pertencem essas gravadoras, ou suas associadas, é um negócio milionário.

Essas empresas tentam se cercar de todas as formas para que esse negócio continue lucrando, e que o controle não seja perdido de uma vez por todas, mas vêem-se cada vez mais perdidas com a popularização da internet, downloads, uploads, e compartilhamentos entre seus usuários. Em vez de algo totalmente criativo e benéfico elas vêem seus milhares de dólares escorrendo por entre os dedos.

O sistema todo entrou em crise quando as ferramentas de produção caíram nas mãos do povo, a cultura da mídia agora não pertence somente a um grande centro distribuidor, cada pessoa passar a ser um distribuidor em potencial, mas não apenas isso, muitas pessoas passam também a produzir seu próprio material e divulgá-lo. A cultura das mídias passa a ser usada para criticar a própria mídia.

O DJ Girl Talk, um dos personagens centrais do documentário, usa músicas de outros artistas, cujos direitos autorais pertencem às grandes corporações, e por isso ele está infringindo a lei, para produzir algo novo, novas músicas. Isso inaugura novas questões: ele está de fato “criando” algo? É algo legítimo? E os artistas?

O documentário não encerra essas questões, mas nos direciona para uma discussão mais sóbria. Fica claro que as leis de direitos autorias devem ser repensadas para que a arte seja de fato incentivada e não podada, e sim, Girl Talk está criando, pois por meio de softwares e um computador ele está “interferindo” ele está agindo, deixando seu rastro pelo mundo, a questão é se ele deve ser considerado um criminoso ou não.

Não é justo que uma pessoa tome a criação de outra. Exemplo; uma banda tem uma música própria, mas esta música ainda não foi registrada, daí vem outra banda, grava e registra essa música, isso pra mim é roubo. Uma coisa é uma outra banda fazer um cover, outra é ganhar dinheiro em cima da criação alheia, vendo CDs por exemplo.

Em minha opinião o que deveria existir era uma negociação mais direta. Se a música é minha e eu não gosto do que o Girl Talk fez com ela, eu posso informá-lo disso, seria algo negociado diretamente, mas o que acontece é que as músicas sampleadas já escaparam do controle dos artistas que a criaram, e estão nas mãos das empresas.

A discussão segue…

Videografia básica para todos que se interessam por música de uma forma bem geral, artistas, DJs, ouvintes etc., pois diz respeito a todos nós, às formas de ouvir música na era digital e de produzir-la.

Natália R. Ribeiro

 
 

Que tipo de som que eu toco? … ?

*Texto usado como base para este post:
Jeder Silveira Janotti Jr. – À procura da batida perfeita: a importância do gênero musical para a análise da música popular massiva.
Música popular massiva, grosso modo, é toda música veiculada por meios tradicionais e já estabelecidos de comunicação, como rádio, TV, jornais, revistas e internet, etc. Seu extremo oposto, se é que ainda podemos usar esse tipo de expressão nos tempos atuais, seria a música Folk, aqui no Brasil podemos citar o Maracatu ou o Frevo, esses gêneros não têm saída fora de um contexto local, pois estão intra-relacionados com a cultura local.
O Heavy Metal faz parte do repertório da música popular massiva e seus diversos sub-gêneros dizem muito da forma de apropriação, cooptação e consumo por parte de seu público.
“(…) Seguindo esse caminho, pode-se partir do princípio de que o lançamento de um produto musical envolve estratégias de divulgação que abarcam pelo menos duas questões: 1) com que se parece esse som? e 2) quem irá comprar esse tipo de música? Mas essas perguntas não são tão óbvias, não é uma simples questão de definição de gênero e pronto, vendagem imediata. (…)”
Neste artigo Jeder Janotti Jr. nos revela a problemática de “gênero musical”, que para nós, consumidores, apreciadores de música pesada, parece tão natural, mas depende de uma série de coisas, e não é algo fixo, variando até mesmo de pessoa para pessoa. Em qual prateleira você colocaria um disco da banda Shaman, em Artistas Nacionais, ou Rock Internacional?
“(…)de acordo com Frith (1998), para se mapear um gênero musical deve-se estar
atento para o seguinte percurso: convenções sonoras (o que se ouve), convenções de
performance (o que se vê), convenções de mercado (como uma música é embalada)
e convenções sociais (quais valores e ideologias são incorporadas em determinadas
expressões musicais).”
Somando se às convenções sonoras, de performance, de mercado e sociais, a mídia especializada também influencia na montagem do “gênero”, como mediadora do consumo musical, vê-se a quantidade de resenhas em revistas como a Roadie Crew por exemplo (só a análise dessas resenhas já valeriam um outro trabalho nesse sentido).
O autor destaca também o campo da performance, como campo comunicacional, codificado, e tensor entre o objetivo e o subjetivo, minimizando a idéia de que os gêneros seriam pré determinados.

“Do mesmo modo que uma canção é ao mesmo tempo a música e sua respectiva performance, a audiência não consome somente as sonoridades, bem como a performance virtual inscrita nos gêneros.”

No Underground tudo isso se intensifica, pois muitas bandas mal sabem nomear seu estilo. Ao contrário do que isso possa supor, não é falta de competência e nem de lealdade com o som, essas bandas transparecem, deixam claro, que o que se pode e deve esperar delas é performance, e isso pressupõe um contato mais direto. É o gênero sendo construído no “aqui e agora”, a partir de um consenso, como algo que pode ser negociado.
O problema disso é: como as pessoas que não participaram dessa “nomeação” vão entender o que ela quer dizer? Pessoas para quais a performance não será disponível no momento.
É aí que entra a questão áudio visual, questão que se faz crucial capa a captação da performance. MySpace e You Tube são as ferramentas elementares, junto com os sites de redes sociais.
… And the Stone keep on rolling
Natália R. Ribeiro
PS. vale lembra que performance aqui não é só a forma como é feito o show, mas a forma como a banda se presenta numa forma geral, em sua forma de tocar, em suas imagens publicadas, nos vídeos etc.
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