Estratégias para o underground

“(…) Esse repertório hipercodificado bem como a contraposição à música pop retira a maioria das bandas de Heavy Metal do foco das estratégias de ampla distribuição midiática, por outro lado, inserem-nas estratégias de distribuição alternativas para o público segmentado”

Cardoso Filho, Jorge
Poética da música underground: vestígios do heavy metal em Salvador

Mais uma vez usarei uma passagem do livro do Jorge Cardoso Filho para iniciarmos a nossa discussão.
O que seria esse “repertório hipercodificado” que tira as bandas do foco das estratégias midiáticas?
O heavy metal não é um estilo de fácil assimilação por boa parte das pessoas que não foram apresentadas a ele previamente. O heavy metal não desfruta do espaço que a música popular tem na mídia, e a música popular é de fácil assimilação, tecnicamente falando ela tem uma estrutura simples, estrofe, refrão, estrofe, refrão e fala de temas comuns. Ele funciona a partir de uma série de códigos. Os códigos podem ser a língua na qual é cantada (majoritariamente o inglês), os temas e a abordagem desses temas, a localização da banda dentro de um determinado estilo.
A música pop procura atingir um número máximo de pessoas, e usa estratégias de sedução de público, todos são bem vindos, você não precisa ter nenhum conhecimento prévio, nenhuma posição política definida, nenhuma ideologia, para ouvir e gostar, assimilar, música pop, já o heavy metal joga muito com isso.
Pensem no que seria a exibição de um clip do Behemoth, no programa do Luciano Huck. Se o programa não fosse retaliado, no mínino ninguém entenderia p***a nenhuma daquilo e passaria por despercebido.
O mínimo para entendermos o Behemoth, e saber que é uma banda de heavy metal,mais exatamente de Black metal e sermos livres de certos impedimentos morais e religiosos, e para chegarmos a esse nível é preciso saber o que é o Black Metal, o que não é nada simples de se explicar, isso porque nem entramos na questão da moral, enfim. Behemoth no Luciani Huck não dá.
O que temos que pensar é como apresentar o nosso produto, o que é produzido no underground. O Behemoth foi só um exemplo, eu sei que não é underground, mas se eles não tem espaço imagina uma banda do underground. O que temos que fazer é pensarmos em novas estratégias, e a internet tem sido terreno fértil para isso.

Natália R. Ribeiro

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Sobre Natália Ribeiro

*Editora do blog Rockalogy desde 2009 *Editora e Produtora do canal Metal Ground *Mestranda em Comunicação Social pela Universidade Federal Fluminense - UFF *Graduação em Estudos de Mídia - UFF *Membro do Laboratório de Pesquisa em Culturas e Tecnologias da Comunicação - LabCULT, ligado ao PPGCOM/UFF. *Headbanguer Full Time

Publicado em 22 de abril de 2010, em Posts. Adicione o link aos favoritos. 1 comentário.

  1. As pessoas que não tem conhecimento sobre música dizem:'' Eu gosto de música boa''.Quando na verdade a definição de bom ou ruim está ligado a gosto.As músicas q estão na mídia popular estão dentro de um ciclo eterno na minha opinião ,um ciclo capitalista e artificial,pelo menos aqui no brasil eu acho q funciona assim.Letras simples de se entender um rítimo grudento e com poucas notas paras as pessoas assimilarem é o q nós temos.A música do behemoth por exemplo tem um rítimo frenético demais para pessoas ignorantes musicalmete falando,mesmo q vc não goste vc pode compreender e dar espaço as estilos de música com pouca visibilidae(no caso aqui o heavy metal em geral).

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