Arquivo mensal: novembro 2009

O de lá X o daqui

Existe essa tendência de pensarem que o que vem de fora é melhor, a exemplo, bandas que estão no underground daqui a anos e só depois de uma turnê internacional é que ganham “visibilidade”, junto dessa tendência vem aquela de que “a grama do visinho é sempre mais verde”, mesmo sem nunca antes termos pisado lá, mas talvez justamente pela distância é que tenhamos essa impressão.

Muita gente diz que o underground de fora “é outra coisa”, e citam São Paulo, Minas, Brasília, outras capitais em geral, mas a maior parte dessas pessoas se quer foram a esses lugares, ou foram apenas em um evento ou outro, ou seja, estão apenas especulando.

Essas pessoas se esquecem que o underground é composto substancialmente pelo público, quem detona a cena underground a qual pertence está cavando a própria cova.

Engana-se quem acha que existe um ideal de underground, pois o que existe são relatos, menos ou mais apaixonados sobre determinado evento, sobre determinada cena, isso porque o underground é vivo, ele se modifica freqüentemente, não é sempre a mesma coisa, não é fixo.

Outra questão que tende ao erro pelo público mais alienado é o julgamento que é feito das bandas que tocam nos eventos. Não é porque a banda veio de fora que ela é boa, não é porque a banda toca primeiro que ela é ruim. Acontece que as pessoas não estão sabendo julgar, os alienados tendem a se apropriar do julgamento dos outros, que por sua vez tendem a se apropriar do julgamento das revistas, dos sites, das resenhas, e forma um pré-conceito que os impede de ouvir o trabalho da banda de forma coerente.

Just think
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Underground injusto acima de tudo

Por mais que seja um fato antigo, me recuso a conciderar “certo” uma banda pagar para tocar. Já a um bom tempo banda que não paga, não toca.

Será que ninguém sabe disso?

Paga pra quem? Paga pra quê?

Marx já dizia que o excesso de mão de obra era o que nivelava o salário, por baixo, é claro. Se um não quer tem vários outros querendo. Tem muitas bandas e as bandas querem tocar, logo quem quem vai ganhar não vai ser a banda, certo?

E o público, parece que finge que nem é com ele.

Eu não me adimiro se daqui a um tempo, o público também não passará a receber para ir ao shows. “Vai me dar quanto pra eu ir no seu show?” ou “Vai ser ‘tanto’, pra ficar 40 minutos…”.

Desde quando isso é “normal”? E se ninguém mais pagar?

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